Minha visita ao CAPs

Na estreia de Concy Rodriguez, com sua coluna “Olho Clínico”, ela comenta sobre sua visita ao CAPs Parintins e traz alguns esclarecimentos sobre o chamado Setembro Amarelo.

Dia 2 de Setembro iniciou se a Campanha “Setembro Amarelo” em Parintins.  A campanha tem o objetivo de buscar tratamento da depressão,  e dessa forma evitar os suicídios, que têm ocorrido com frequência em todo o mundo. O Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), é o órgão responsável e as pessoas o apoio,  a prevenção,  através de uma equipe multiprofissional, sendo eles, psicólogos,  psiquiatra, assistentes sociais, entre outros, além de oferecer as medicações para auxiliar nos tratamentos.  Na segunda feira (23), estive no Caps e conversei com Saturnino Neto, funcionário pioneiro na área de Saúde Mental, e fez alguns esclarecimentos.

“Setembro Amarelo é uma campanha do Ministério da Saúde, acontece em todo Brasil, e tem o objetivo de prevenção ao suicídio. Todos nós somos estados do meio em que vivemos, somos como uma esponja que absorvemos tudo ao nosso redor,  e isso vai nos fazer fortes ou fracos, vai fazer nossa personalidade. Não é um caso do Brasil, nem de Parintins, e sim do mundo. O Brasil encontra se em oitavo lugar, é preocupante. Segundo as estatísticas, nesse momento que estamos conversando,  alguém deve estar tentando ou cometendo suicídio. As ações do Setembro Amarelo visa justamente diminuir esses índices ou quem sabe zerar, pois sabemos que essas situações, além de do suicídio, levam também uma parte de quem fica.

“Hoje as pessoas estão levando para a igreja,  macumba,  pra todo lugar, outros tomam a direção de ajudar e ficar junto até o final de resolver a situação. Mas será que estão preparados para enfrentar isso?  Então, essas pessoas precisarão ser encaminhadas aos nossos especialistas, sendo eles, psicólogos,  psiquiatras,  assistentes sociais entre outros. Como só tem psicólogo no Caps, a demanda decai no Caps.

Durante a programação já tivemos conferências no Colégio Batista, Ceti, Dom Gino, na comunidade de Lourdes, para falar com os coroinhas e a comunidade em geral.

Então aqui no município,  a programação iniciou dia 2 de Setembro com o café da manhã com convidados,  autoridades,  profissionais da saúde para discussões sobre o tema.

Temos que fazer abordagens constantes, pois hoje podemos estar alegres, amanhã podemos nos entristecer,  então não podemos deixar de dar atenção. As pessoas não podem ficar sozinhas, ,precisam estar em movimento, correr, brincar, passear,  dançar, estar no convívio de gente, se for preciso dançar sem música dance, vá jogar futebol,  ah mas não sei jogar futebol,  vá ser o gandula,  mas vá. Precisamos ter a alta estima estimulada, falando com as pessoas.

Aqui no município temos 113 pessoas sendo acompanhadas, aconteceram suicídios? Sim, talvez essas pessoas não tiveram a chance de ter procurado tratamento, ou mesmo pelo preconceito. Existem pessoas que até evitam falar a palavra suicídio,  assim como no passado,  nossos avós nos proibiam de falar a palavra câncer dentro de casa.

Sobre o assunto, a diretora do Caps, Doricy Ribeiro, diz que todo suicídio está vinculado à depressão, seja por ansiedade, bipolaridade, que já são portas de entrada à depressão. Se de repente  você não estiver preparado para enfrentar as cobranças e atribuições da vida,  você poderá decair, por isso precisamos ficar em movimento,  no meio de gente de todas as esferas sociais, raciais e culturais.

Ela também falou à nossa reportagem sobre a rotina do Centro de Atenção Psicossocial. “Os nossos trabalhos começam as 8h da manhã,  com uma acolhida desde a cozinha à recepção,  em seguida encaminhamos ao Psicossocial, sendo psicólogo e assistente social, p enfermagem e ao psiquiatra. No momento o psiquiatra Alessandro Gonzaga não se encontra na cidade, mas ninguém volta sem atendimento,  sem uma atenção especial,  pois fazemos uma triagem, e esses clientes passam pela psicologia e assistência social,  que ajudam,  salvam almas diariamente. Essa atenção consiste em um abraço, palavras positivas que fazem essas pessoas se sentirem bem, ressaltando a alto estima delas com frases de como você é importante para nós,  para a sua família,  nós confiamos em você. Isso tudo é importante,  pois muitas delas quando chegam aqui,  não suportam mais a familia dizer que é frescura, muitos não acreditam, levam pra igreja, mas a pessoa precisa também de tratamento. Precisamos divulgar muito e quando você ver alguém triste, dê atenção, comece observando na sua casa, as vezes temos dentro de casa pessoas dentro de casa pedindo socorro e a gente não consegue ver.  Tem dia que muitos chegam aqui e apenas choram,  choram, e choram,  não falam nada, apenas choram,  mas depois de um abraço forte,  elas saem dizendo que estão muito melhores e saem agradecidas. Precisamos olhar com mais amor ao próximo,  deixar o individualismo, as vezes no corre corre do dia, não conseguimos ver pessoas destruídas pela tristeza interior, gritando por ajuda”

Concy Rodriguez

Colunista Colaboradora JI

você pode gostar também