A LOMBRA DE FRED GÓES

“Se você tivesse acreditasse na minha brincadeira de dizer verdades; teria ouvido verdades que teimo em dizer brincando. Falei muitas vezes como um palhaço, mas jamais duvidei da seriedade da plateia que sorria”.(Palhaço Fred)

 

Sempre que visitava o Jornalista Fred Góes, em sua residência, via essa frase em um quadro que ficava na sala. Fred Góes todo mundo conhece, é um cidadão que mede um pouco mais de 1.60 de altura, seu nome completo é Frederico Daniel Paulo Rolim de Góes, tem um cérebro privilegiado e é um dos maiores arquivos vivo do nosso folclore amazonense. É também a peça principal da Comissão de Artes do Boi Garantido, fez parte do grupo RAÍZES DA AMÉRICA; foi quem temperou com a sonora e apaixonante ZAMPONA a música “Cantiga Tropical”, campeã do Festival da Canção de Parintins em 1994, de Tony Medeiros e Luís Soares de Medeiros e tambem foi quem injetou nas veias das nossas toadas o mágico e fantástico CHARANGO. Tenho muito pra falar sobre o Fred, levaria dias escrevendo coisas boas sobre ele; era tão íntimo da família que muitas vezes ia direto na geladeira da Léa Costa e devorava a maçã do Fredinho, o mingal da Violeta e só parei porque um dia me empurrei em um bife tão detonado que passei dois dias de REI, não saía do trono. Como a minha intensão é sempre contar histórias, vou alugar a paciência de voces e vou contar mais uma…

.- O jornal “O PARINTINS” era um informativo bem diagramado, rodado na gráfica do jornal “A CRÍTICA”, administrado pelo Fred, sob as bênçãos de BENÉ e VANDER GOES, com o apoio e o incentivo do Sr. Humberto Calderaro. Fred em um dos editoriais foi contundente em relação a administração do FUNRURAL, hoje INSS, deu sua opinião crítica muito bem fundamentada, mas o representante local não gostou e ficou mandando recadinhos, dizendo pelos quatro cantos da cidade que ainda teria pessoalmente 3 dedinhos de prosa com o Jornalista. Fred ficou CABREIRO, o homem era marrento, metido a brabo, andava armado e pouco sorria com as pessoas. Eu era responsável pela coluna social do jornal e a nossa convivência era diária.

O escritório do jornal era na João Melo, ficávamos de portas abertas escrevendo as matérias pelas madrugadas, ninguém perturbava e a probabilidade de sermos assaltados, naquela época, era ZERO vezes ZERO. Uma bela madrugada o homem do FUNRURAL passou de carro, olhou de forma ameaçadora para o FRED e saiu cantando pneu. Fred me falou que deu um fiozinho na barriga e como não havia saída pelos fundos disse que a única alternativa seria sair pela porta da frente e enfrentar a situação. Quando fomos levar o material do jornal, às seis da manhã, no aeroporto Júlio Belém, Fred me disse: Eu te juro Inaldo, se ele viesse pra cima de mim, eu pularia no pescoço dele e mostraria pra esse cidadão com quantos paus se faz uma jangada. Voltamos do Aeroporto, paramos em um lanche para tomarmos uma sopa de mocotó, próximo ao mercado e na metade da sopa o Fred foi se encostando na parede, passou mal e eu agoniado, peguei a tampa da panela da dona do lanche e fiquei abanando o cabra até a LOMBRA passar. Depois do susto passado, falei ao Fred em tom de brincadeira: meu amigo, foi melhor você não ter brigado ontem. Porque Inaldo? Eu disse: Se você não aguentou dez colheradas da sopa da ALVANY; certamente sucumbiria a um murro do homem do FUNRURAL!!!!!

 

 

Colaboração Inaldo Medeiros

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