Gov-03

A Mulher de Branco

A história é verdadeira, jura quem viu.

Quem morou por muitos anos nas proximidades da antiga escadaria da rua Vieira Júnior, ouviu muitas histórias da visagem da mulher de branco que aparecia naquelas “ruas da frente” da cidade, como se dizia antigamente.

Nas laterais do barranco onde a escada foi construída, havia duas mangueiras, de um lado e outro, de forma que a construção ficava no centro, local que à noite era de total escuridão. Os enamorados costumavam se esconder no escurinho da escadaria. Alguns barcos da zona rural também ancoravam naquele trecho.

Quando se falava na visagem que aparecia por lá, muitos não acreditavam e outros falavam como São Tomé: só vendo a tal mulher. O pescador conhecido pelo apelido de João do Brejo era um desses que não acreditava. Ele sempre saía de madrugada de sua casa para a pescaria e nunca viu assombração.

Numa sexta-feira feira, João saiu apressado por volta 4h da manhã. Vinha pela Boulevard 14 de Maio, uma rua de árvores frondosas que escondia os poucos postes de iluminação pública. Alguns trechos até hoje ficam escuros. Na esquina da Balaustrada ele parou uns minutos para esperar um colega que vinha pela rua Gomes de Castro. Os dois iam juntos para a pescaria.

Quando levantou o olhar, avistou uma mulher com um vestido longo, branco, caminhando em direção ao Colégio Nossa Senhora do Carmo.

Estava longe, mas dava pra ver que ela tinha cabelos pretos e compridos. O colega chegou e os dois foram caminhando sem perder a mulher de vista. João questionou com o amigo:

– O que tu acha que essa mulher faz na rua essa hora?

– Se for safadeza vamos já descobrir – respondeu.

Já estavam chegando perto do colégio e a mulher tinha dobrado a rua em direção à escadaria. Ambos lembraram-se da história da visagem, mas fizeram pouco caso.

Mal sabiam eles que o pior estava por vir. Quando alcançaram a esquina não acreditaram no que viram. A tal mulher estava parada perto da casa do seo Chico Yanuzzi, na rua Vieira Júnior. O mais impressionante e horripilante é que ela não estava mais do jeito que eles tinham acabado de ver. A mulher cresceu e ficou quase da altura do poste.

Os dois caboclos se bateram de medo, as pernas trêmulas, a voz sumindo, anestesiados sem saber que fazer. A viagem da mulher de branco era real. Eles tentaram correr, mas os pés pareciam presos no chão. Em segundos, a aparição que estava sempre de costas foi voltando ao tamanho normal. De repente ela virou o rosto, olhou para eles e caminhou no rumo da beira do rio. Quando alcançou a escadaria, a mulher olhou mais uma vez na direção deles, antes de desaparecer.

Os dois ainda paralisados não conseguiam acreditar no que tinham acabado de ver. Respiraram fundo para passar o medo e saíram em disparada pegando a Herbert Azevedo até chegar na Francesa, de onde pegariam a canoa para a pescaria.

Desde esse dia, muitos relatos de avistamento da assombração da mulher de branco foram narrados por outros moradores. A história é verdadeira, jura quem viu. Assim como os pescadores, outros corajosos foram desafiados a ir até a escadaria conferir a visagem da mulher de branco.

 

(Livro: OS FANTÁSTICOS CABOCLOS, CONTADORES DE HISTÓRIA/Peta Cid/ Arte: Ananda Cid/Créditos de histórias de Elinaldo Tavares e Josene Araujo)

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