Gov-01

Artistas de Parintins enviam carta aberta ao governo do estado

Chegou à redação do JI, a carta aberta aos gestores competentes, para divulgação na mídia.

 

Eis, a íntegra da Carta:

 

Carta aberta aos gestores competentes

Excelentíssimo Sr. Governador

Wilson Miranda Lima

Assunto: FESTIVAL FOLCLÓRICO DE PARINTINS.

 

Festival Folclórico de Parintins, nossa maior representação cultural da Amazônia, uma festa que há mais de 100 anos se tornou uma referência para estudiosos, e para os amantes da arte diferenciada.

Uma arte que conquistou muitos adeptos, como na música, enveredando pelo erudito e popular, nas artes plásticas, moderna e contemporânea, na dança com movimentos coreográficos e improvisados, na teatralidade em dramaturgias e repentinos. Todos esses movimentos artísticos se agregaram na festa, artes que vieram de além-mar, singrando o país até chegar no nosso Jardim do Éden, a nossa Amazônia, onde aqui se tornou essa potência cultural, virando atualmente Patrimônio Cultural e Imaterial da Humanidade. A cada ano os artistas parintinenses nos orgulham, sempre projetando a cidade há mais de 40 anos divulgando a nossa cultura, efervescendo o movimento artístico num intercâmbio entre Carnaval e Festival. Mestre Irmão Miguel e Mestre Jair Mendes estão para Parintins, assim como Mestre Vitalino está para o Nordeste, artistas autodidatas, referencias, que se encantaram e foram atraídos como um imã para uma missão de um proposito nessa maior festa.

Hoje o mundo enfrenta uma Pandemia, o COVID-19, cujas consequências, já estamos amargando atualmente, assolando a população e atingindo grandes eventos e festivais no planeta todo, mas a arte tem essa capacidade de se reinventar, ela se adapta por ser um dom extraordinário dado por Deus, mas e o povo de Parintins como ficará com o Festival adiado? Nessa crise o efeito dominó será muito grande, vai de empresas de embarcações, hotelarias, taxistas, moto taxistas, vendedores, bares, artesões e outros, uma quebra na economia dessa cidade. Como será essa festa sem a pujança do primeiro toque do tambor, com as chamadas “Cadê a Galera do Garantido? ” E “Caprichoso Ole-lê, Ola-lá” esse ecoar está fazendo muitos pensarem de como vai ser essa festa, e no meio de tudo existe uma matéria prima que são os artistas, mais de 1.200 profissionais, elementos vitais que fazem essa engenharia da arte acontecer, homens e mulheres que já sobreviveram a várias crises, como dizia Albert Einstein “A crise é a melhor benção que pode ocorrer com as pessoas, porque ela traz progresso. A criatividade nasce da angustia, como o dia nasce da noite, é nas crises que nascem as invenções, os descobrimentos e as grandes estratégias” e direcionando a nossa arte, temos essa capacidade criativa, artistas que conseguem evoluir a cada ano, seja na pintura, música, dança, no pensar e imaginar, uma festa que vive de superação numa ilha encantada, afinal qual a cidade que não queria ter esse status de divulgação a nível nacional que Parintins tem? Hoje queremos fazer um CLAMOR a todas as instituições governamentais e aos gestores competentes, um socorro para essa arte que encantou da Amazônia para o Mundo, um clamor de verdade nesse momento de adversidade, um vírus que ainda não possui cura e que está se alastrando cada vez mais, pedimos socorro durante esse período que não teremos o Festival de Parintins e outras atividades artísticas.

Essa é reivindicação de algo que nos é de direito constitucional, e qualquer método que dificulte esse repasse de verba direto aos artistas é passível de protesto legítimo, visto que cada um de nós, com muito esforço pagam os pesados impostos, exatamente para que sejamos amparados, no momento em que mais precisamos, e não tenhamos que preencher formulários burocráticos que possam, por questões burocráticas inoportunas, nos privar desse DIREITO.

Pontos da Reivindicação

 

A definição oficial da data do Festival de Parintins, pois todos os anos logo após a tradicional data de junho, os artistas viajam para fora, trabalhando em outros festivais, que até então nesse segundo semestre ainda não foram cancelados ou adiados, e a maior delas, o Carnaval, onde artistas viajam todos anos para o Rio de Janeiro e São Paulo, começam a viajar em agosto, mas é em outubro que praticamente todos estarão nessas cidades e em outras, o Festival sendo realizado nesse mês (outubro) para os artistas será inviável por justamente não estarem mais aqui, e a festa irá perder muito sem a qualidade, experiência e responsabilidade desses profissionais, pedimos que haja sensibilidade com esses artistas, que todos os anos viajam para sustentar à família e levar o nome da cidade para o Mundo ver.

 Façamos um apelo, em nome de todas as nossas famílias para que a Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas e demais órgãos do Poder Executivo, revejam sua política assistencial aos artistas locais diante do colapso eminente do setor, dispondo também de técnicos para dar esse suporte cadastral, ainda há tempo para juntos chegarmos a uma solução mais objetiva e menos burocrática.

Somos todos filhos da arte da Amazônia, somos filhos do nosso Guajupiá, o céu dos escolhidos, somos a voz e o clamor dessa gente, somos o ecoar das nações Azul e Branca e Vermelha e Branca, somos o orgulho da nossa terra, e agora mais do que nunca o nosso clamor é para aqueles que sabem verdadeiramente da nossa história, e essa é a hora de termos o nosso reconhecimento em prol dessa grande arte que encanta o mundo todo!

SALVE A ARTE DE PARINTINS!

Cordialmente a Comissão dos Artistas de Parintins

 

Adrianilson Souza,

 

 

 

 

Juarez Lima

 

 

 

 

Francivan Cardoso

Katianne Azedo Andrey Souza Erivan Lopes
Enaldo Miranda Kedson Valente Keize Marinho

 

Postado por Carlos Frazão/JI

 

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