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Bolsonaro pede ‘desculpa’ e ‘paciência’ a apoiadores

Presidente afirmou que sua vida ‘não é fácil’ e que qualquer decisão tomada receberia críticas (Foto: ADRIANO MACHADO / REUTERS)

 

 

BRASÍLIA — Após indicar o subprocurador Augusto Aras para o cargo de procurador-geral da República e oficializar vetos em 36 itens no projeto de lei que define o abuso de autoridade , o presidente Jair Bolsonaro pediu “desculpa” e “paciência” para os apoiadores que o esperavam na chegada do Palácio do Alvorada, no início da noite desta quinta-feira.

— A vida nossa não é fácil. Qualquer decisão tomada, para um lado ou para outro, tem problemas. Hoje anunciei os vetos da lei do abuso de autoridade, e acolhi todas as indicações do Moro, todas as indicações do nosso advogado-geral da União, pelo CGU e também pelo chefe da nossa Casa Civil. Todos. E indiquei a tarde o procurador-geral da República. Estou recebendo muita crítica de gente que votou em mim.

Aos seus apoiadores, Bolsonaro explicou que tinha um “universo pequeno” para escolher o novo procurador e rebateu os pedidos para que fosse colocado um integrante da força-tarefa da Lava-Jato, dizendo que não basta apenas o combate à corrupção, mas também posições em outras áreas, como a questão ambiental.

Em outro momento, o presidente admitiu que teve conhecimento de algumas “coisas ruins” de Aras, mas justificou que “todo mundo tem um pecado”. Ele citou o próprio exemplo de quando foi preso no Exército por indisciplina, mas acrescentou que “nós acabamos mudando”.

— Pessoal, desculpa aí. Vamos ter paciência. O Brasil tem muita, mas muita coisa errada. Não vamos ter outra chance a não ser essa que Deus me deu — disse, em seguida.

Ao comentar os vetos no projeto de abuso de autoridade, Bolsonaro disse que o fez para ser fiel a quem o elegeu e argumentou que a sanção integral acarretaria no fim da Lava-Jato.

— Você me elegeram. Eu não tinha dinheiro, não tinha tempo de televisão, a imprensa toda dando pancada na gente. Eu não vou chegar aqui agora para ser amigo dos nossos inimigos — disse.

Ele admitiu também que os vetos desagradaram a integrantes do Congresso:

— Os meus vetos vão fazer muita gente importante do Parlamento ficar chateada comigo. Se eu quisesse fazer média com algumas pessoas teria sancionado tudo. Iam fazer o quê? Não iam fazer nada. Aí sim acabaria a Lava-Jato. Então, paciência.

 

Jussara Soares e Daniel Gullino/O GLOBO RJ

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