Caetano, o “emburrado”

CAETANO MEDEIROS, meu filho amado, dos 4 aos doze anos, era tão “EMBURRADO” que seu esporte preferido era chorar. Qualquer apelido pegava; eu andava preocupado procurando uma resposta para tanto mau humor. Era um problema tão sério que um dia o testei; a pia da cozinha estava cheia de louças e comecei a chamá-lo pelo nome de tudo que ví por perto. Primeiro chamei: Ei Prato! Ele chorou e se irritou. Ei copo!! Ele se jogou no chão. E continuei: Ei colher!!! Ele quis me apedrejar. Ei detergente!! Ele tremia de raiva. E saí falando o nome de todas as coisas que a minha visão alcançava; ele ficou tão irritado que sua roupa ficou encharcada de choro e suor. Eu precisava fazer alguma coisa urgente; meu filho tinha no histórico familiar, por parte da mãe, pessoas que eram acompanhadas por psicólogos, psiquiatras e aquela irritação toda podia evoluir e causar danos irreversíveis. Naquela época pedi orientações ao meu vizinho Psicólogo Oscar Koga e ele disse que eu precisava observar seu comportamento de perto e o informasse se houvese qualquer alteração. Caetano morava na Sá Peixoto e o apelido que ele mais detestava era GELADEIRA; a rua inteira “zoava” com ele e a cada dia ficava mais nervoso e retrucava com palavrões. Era o Tripa mirim do BOI CAMPEÃO e seu irmão Gaspar Medeiros, meu outro filho, era o AMO. Um dia, sem que eles soubessem, fui assistir uma apresentação próximo a casa da dona Edith e seu Adolfo ( seus avós) e quando o apresentador chamou o TRIPA, ví uma cena que morro de rir ao lembrar. Foi assim: E COM VOCÊS …..O TRIPA DO BOI……..CA-Ê-TA-NO ME-DEI-ROS!!!! Lá vem o Caetano, evoluindo, balançando, rodopiando, fazendo o bonito. E o apresentador continuou; O POPULAR GE-LA-DEI-RA. A coisa ficou preta; Caetano pegou o Boi, deu umas Chifradas no apresentador; uns cinco pisões; umas lambadas com o rabo do boi de pano e ninguém conseguiu ficar sério naquele momento. O tempo foi passando, foi ficando adolescente e, graças a Deus, meu filho resolveu com muito bom humor tudo aquilo. Um dia um amigo de infância, em plena via púbica, querendo tirar sarro com a cara dele, falou: E aí GELADEIRA, como vai?. Eu estou bem!!; Não sou mais o geladeira, eu evolui, agora sou um freezer de 1000 litros. E deu uma gargalhada!!!

***** Caetano encontrou um cachorro na rua e resolveu adotá-lo; deu banho, vacinou, curou as feridas, levou ao veterinário, comprou ração, shampoo e começou a chamá-lo de ZÉ. O cachorrinho ficou bonito, esperto, brincalhão e fazia coisas como se estivesse muito grato ao novo dono. Três dias depois, foi ficando triste, chorava bastante e o Caetano não sabia mais o que fazer. Eu olhei e disse: meu filho, ele gosta de você mas ele é da rua e é muito mais feliz na rua, ABRA O PORTÃO!!!. Caetano acatou o meu pedido e o seu amiguinho ZÉ rapidamente se espertou; foi até a esquina, voltou, Caetano o apagou e ele saiu em disparada. Por muitas vezes o encontrou na praça dos bois e quando chamava: ZÉ!!! Ele vinha feliz, fazia uma festa e ia embora. Muito tempo depois, meu filho GASPAR MEDEIROS estava naquele “CHOVE NÀO MOLHA” em um relacionamento conturbado e resolveu pedir a minha opinião. Eu disse: Você lembra do Zé, o cachorro do Caetano? Ele disse: lembro!!! Por que? Olhei e pedi: ABRA O PORTÂO MEU FILHO, ABRA O PORTÀO!!!!!!

 

 

Inaldo Medeiros

Colaborador JI