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Círio de Nazaré: conheça história de uma das maiores festas religiosas do país

Por causa da pandemia, imagem de Nossa Senhora realizou Percurso do Círio de helicóptero e homenageou vítimas da Covid-19.

Translado da Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Nazaré realizado na última sexta-feira (8) / Salim Wariss / Basílica Santuário.

 

 

Terminou neste domingo (10) o 229º Círio de Nazaré, em Belém, uma das maiores festas religiosas do país. O encerramento é marcado pelo percurso do Círio, que esse ano foi realizado por helicóptero, para evitar a aglomeração de fiéis no solo. O evento deste ano também contou com homenagem da Esquadrilha da Fumaça, da Força Aérea Brasileira (FAB), durante o fim de semana.

O Círio é considerado a maior procissão católica do mundo, chegava a reunir mais de 2 milhões de pessoas antes da pandemia. Segundo a agência de notícias do governo do Pará, neste ano a festa reuniu 400 mil pessoas.

O fechamento do evento, que tradicionalmente acontece no segundo domingo de outubro, reúne diversas romarias em direção à Basílica Santuário de Nossa Senhora de Nazaré, na zona sul de Belém (PA).

O evento deste ano começou na última terça-feira (5), com a realização da Missa Solene de Abertura, na Basílica. A cerimônia foi celebrada pelo arcebispo de Belém, Dom Alberto Taveira Corrêa.

Na última sexta-feira (8), ocorreu a única romaria deste ano, que acompanhou o translado da imagem peregrina de Nossa Senhora de Nazaré para os municípios de Marituba e Ananindeua, localizados na Região Metropolitana de Belém. A figura deixou a Basílica Santuário às 7h e percorreu 63 km em carro berlinda da Polícia Rodoviária Federal (PRF), antes de retornar à capital horas depois.

Mais de 350 anos de devoção

Segundo a Diretoria da Festa de Nazaré, os Jesuítas iniciaram a devoção por Nossa Senhora de Nazaré em 1653, mas a romaria só foi instituída a partir da metade do século XIX. Em manuscrito do fim do século XVIII, Dom Frei João Evangelista, quinto bispo do Pará, relata o encontro da imagem da Santa em 1700. Segundo o documento, Plácido José de Souza encontrou a figura, com o escrito “Nossa Senhora de Nazaré do Desterro”  às margens de um córrego próximo à estrada do Maranhão.

A história conta que Plácido levou a imagem para casa e a colocou em um altar, mas ela sumiu no dia seguinte. Ao procurar a figura, ele-a encontrou no mesmo lugar do dia anterior. O fato repetiu-se durante semanas, o que levou Plácido a entender que o local original era onde a imagem deveria ficar. O lugar do achado é onde hoje se encontra a Basílica Santuário.

Em 1773, o bispo do estado encaminhou a imagem para Portugal para que fosse reformada, e também solicitou à Rainha Dona Maria I e ao Papa Pio VI a licença oficial para a realização de uma festa em homenagem à Nossa Senhora de Nazaré. A imagem retornou à Belém em 1774, mas o primeiro grande Círio só aconteceu em 1793, reunindo cerca de 10 mil pessoas.

Hoje, segundo estimativas, o evento reúne mais de 2 milhões de fiéis, sendo considerado a maior procissão católica do mundo. O Círio de Nazaré foi declarado Patrimônio Cultural da Humanidade em 2013 pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

Passeio de helicóptero

Devido às restrições da pandemia, o evento desse ano teve que se adaptar para evitar a aglomeração de fiéis. Neste domingo (10), a imagem de Nossa Senhora de Nazaré sobrevoou a cidade em um helicóptero durante a manhã. Antes de realizar o percurso normal do Círio, a aeronave sobrevoou hospitais da cidade e jogou flores em homenagens às vítimas da Covid-19.

O helicóptero pousou próximo à Basílica e foi carregada pelo governador do Pará, Helder Barbalho (MDB), para o interior da igreja. onde foi realizada a missa solene de fechamento do Círio de 2021.

Apesar do percurso ter sido realizado pelos ares de Belém, as ruas do centro da cidade ficaram cheias de fiéis, que caminharam em direção a Basílica.

 

 

Por Henrique Andrade da CNN/São Paulo

 

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