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Delator da Lava Jato afirma que houve pagamento de propina para a construção da Arena Amazônia

Arena da Amazônia em construção (Márcio Silva/Arquivo)

 

A construção da Arena da Amazônia está entre as obras de estádios da Copa do Mundo nas quais a empreiteira Andrade Gutierrez teria pago propina, segundo notícia publicada hoje (12) no site do jornal Folha de S.Paulo a respeito da transferência do presidente afastado da construtora para prisão domiciliar.

De acordo com a  matéria, o esquema de propina consta da delação premiada de ex-executivos da empreiteira  assinado com a procuradoria-geral da República. Também fariam parte a reforma do Maracanã, no Rio de Janeiro, do Mané Garrincha, em Brasília e do Beira Rio, em Porto Alegre nas quais a  Andrade Gutierrez atuou sozinha ou em consórcio com outras empresas.

A delação incluiria ainda a confissão do pagamento de suborno na construção da usina hidrelétrica de Belo Monte no Pará, na usina nuclear Angra 3, no Rio e na ferrovia Norte-Sul. Segundo a Folha, o acordo de colaboração dos ex-executivos da Andrade Gutierrez revela informações sobre pedidos de doações para a campanha eleitoral da presidente Dilma Rousseff de 2014.

Com custo de R$ 259,7 milhões acima do que foi inicialmente anunciado pelo Governo em 2010, a Arena da Amazônia foi licitada, contratada e construída entre os governos de Eduardo Braga (senador e ministro das Minas e Energia) e Omar Aziz, senador. Foi inaugurada em  março de 2014.

A obra, orçada em R$ 499,5 milhões, somando aditivo e  reajustes, serviços complementares e consultoria técnica totalizou R$ 811,5 milhões, o que representa um acréscimo de 62,4%, segundo dados atualizados do Sistema de Acompanhamento de Obras do Governo do Estado (Sicop).

Executadas pela construtora Andrade Gutierrez, as obras de engenharia civil, cobertura metálica, estruturas elétricas, instalação do sistema de ar condicionado e de segurança e de outros ambientes foram orçadas no contrato firmado em 1 de julho de 2010 em R$ 499,5 milhões. O projeto recebeu aditivo de R$ 124,3 milhões. E depois reajustes de R$ 135,4 milhões. Só esse contrato, de acordo com o Sicop, que pode ser acessado na página da Secretaria Estadual de Infraestrutura (Seinf), totaliza R$ 759,2 milhões.

A Seinf firmou um segundo contrato com a Andrade Gutierrez no valor de R$ 51,9 milhões para obras complementares da Arena da Amazônia para atender “os novos requisitos do caderno de encargos da Federação Internacional de Futebol (Fifa)”.  Existe ainda um terceiro contrato para o estádio de futebol no valor de R$ 409,1 mil celebrado com a empresa Sustentech Desenvolvimento Sustentável para consultoria.

Sem comentários

Por meio de suas assessorias de imprensa, o senador Omar Aziz (PSD) e o senador e ministro Eduardo Braga (PMDB) não quiseram comentar a notícia publicada na Folha. A obra da Arena da Amazônia foi licitada e a ordem de serviço emitida na gestão de Braga, que se afastou no final de março de 2010 para concorrer ao Senado, e construída no de Omar.

 

 

 

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