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E segue o baile…

Na década de 80, aqui na cidade de Parintins tivemos, sem sombras de dúvidas, os melhores bailes de salões, enfim, todos os eventos eram muito marcantes.

E entre tantas opções, eis que anuncia se aos quatros cantos da cidade “O Baile das debutantes” e que o príncipe seria nada mais nada menos aquele que na época era o famoso e lindo cantor Rony Von. O baile prometia e eu não ia perder por nada.

Mas havia um problema no dia do tão esperado baile, na época existiam poucos salões de beleza na cidade e nesse dia todos estavam lotados, e isso já era quase quatro horas da tarde. Pergunto daqui, pergunto dali, até que uma colega me disse que havia chegado na cidade uma cabeleireira que igual não havia, era uma profissional  com “mãos de seda.”

Fui até ela, antes não tivesse ido, mas fui até aquela que vou chamar de Cida, depois vão entender  o porquê. No salão, ainda desorganizado, estava ela, que ao me ver deu aquele sorriso Colgate, como se dizia na época. Me recebeu e foi logo se desculpando, que tudo ainda estava daquele jeito porque havia acabado de chegar de Manaus, onde sua freguesia a queria de volta a todo custo.

Cida me fez sentar em uma cadeira giratória, e como pra mim ela era top das galáxias, até o espelho eu dispensei. Enquanto fazia o corte solicitado, apenas as pontinhas, hidratava e escovava, Cida não parava de falar um só segundo.

Finalizado, ela me diz, “olha só que lindo que ficou,” me mostrando a um daqueles pequenos espelhos de bordas amarelas.

Jesus do Santíssimo Sacrário, quando eu vi dei um grito de horror, meu Deus, o que você fez no meu cabelo? Ela disse, mas por que? Eu disse, você acabou com a minha vida sua loucaaaa, eu não vou te pagar!!!

Gente, a Cida (homicida de cabelos), havia cortado o corte do Xororó radical, na parte da frente da cabeça tinha menos de dois dedos de altura e aquele imenso rabo alisado na escova, eu me senti um cão poodle assustado. E diante do meu sofrimento, sabendo que eu não ia sair com aquele cabelo, ela ainda me disse: “Não fica assim menina, se acalme, seu cabelo vai crescer.”

Conclusão, saí de lá cuspindo fogo, fui pra casa lavar, tirar aquela escova pavorosa e chorar. Perdi o baile, não fiz fotos ao lado do ídolo e ainda perdi o encontro.

 

Por Concy Rodriguez, colunista JI

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