Em Parintins, Amazonino se irrita com professores e diz que movimento grevista tem interesse eleitoral

O govenador Amazonino Mendes (PDT) foi recebido com protesto pelos professores em greve no município de Parintins, na tarde de sexta-feira, 23 de março. O grupo de profissionais do magistério se concentrou no estacionamento do Amazon River Hotel, onde o Amazonino foi almoçar e depois recebeu a comissão do movimento grevista no auditório do hotel. Depois do encontro os professores seguiram o carro do governador até o aeroporto com buzinaço e palavras de ordem.

Do lado de fora da reunião, os manifestantes bateram panela, fizeram barulho com apito e proferiram palavras de ordem. Até paródia de boi-bumbá teve: “Anunciei greve na cidade, a nossa fama Amazonino tu já sabes, deves está com medo da nossa moçada, somos professores e topamos qualquer parada”.

Na reunião, as justificativas do governador não agradaram em nada os professores que esperavam receber uma resposta de solução para o pagamento do reajuste salarial de 35% defasado há quatro anos.

Em tom autoritário, Amazonino justificou aos educadores que assumiu para tapar um governo falido e que enquanto governador tampão, está tentando organizar as finanças para poder pagar as contas do Estado.

Amazonino prometeu pagar a data base do seu governo e questionou porque não fizeram greve nos anos de 2015 e 2016, que também não houve o pagamento da data base, afirmando que se tratava de uma mobilização política partidária por conta das eleições deste ano.

“Porque que não fizeram greve em 2015 e 2016? Quem é que está comandando vocês? Quem é que está orientando vocês? O que está acontecendo, é que é ano eleitoral”, afirmou.

Em seu pronunciamento o governador se limitou a justificar que sempre procurou beneficiar os professores, ressaltando que o dinheiro disponível do Fundeb representava uma sobra de mais de R$ 100 milhões, 10% na folha, para ser pago em forma de abono e não para dar aumento, devido a lei de responsabilidade fiscal.

“Não atrasei o pagamento de vocês, não atrasei a data base, criei um gatilho para resgatar as datas bases antigas, estou pegando dinheiro do Fundeb pra todo para vocês. Eu não estou entendendo”, disse se referindo a greve. “Acabo de saber que a Justiça do Trabalho declarou ilegal a greve. A greve foi mal conduzida, está mal explicada”, pontuou.

Para o professor Carlos Magno Camargo, um dos coordenadores do movimento grevista dos educadores em Parintins, classificou que a reunião não passou de um palanque eleitoral de Amazonino. Segundo o professor, o governador foi autoritário e nem um pouco diplomático com a categoria.

“Nós nos retiramos da reunião porque o governador não veio a Parintins com o intuito de dialogar. Ele veio fazer um monólogo pra fazer apenas uma propaganda de si mesmo. Não quis ouvir o nosso questionamento, quis apenas empurrar as desculpas esfarrapadas que ele vem dando nos últimos dias, as quais nós não engolimos e não nos deixou falar, não quis nos ouvir.

“Nós não estamos aqui pra ouvir propaganda eleitoral de governador, estamos aqui para tentar resolver um problema da nossa categoria. Infelizmente ele demonstrou que o interesse dele em resolver o nosso problema é zero”, desabafou o professor Carlos Magno.

 

Marcondes Maciel | Repórter Parintins

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