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Fametro planeja transformar Santa Casa em hospital universitário

A ideia passa por avaliação dos diretores da instituição, vencedora do leilão ocorrido nesta quinta-feira (21) com o montante de R$ 9,3 milhões.

O prédio passará por avaliação de profissionais especializados até, possivelmente, se tornar hospital universitário da instituição (Foto: Divulgação)

 

Manaus – Arrematada em um leilão por R$ 9,3 milhões, pela Faculdade Metropolitana de Manaus (Fametro), a Santa Casa de Misericórdia deve ser transformada em hospital universitário para os cursos de saúde da instituição. A determinação foi concedida pela juíza Ana Maria Diógenes, titular da Vara Especializada da Dívida Municipal (Vedam), do Tribunal de Justiça do Estado do Amazonas (TJAM), no Fórum de Justiça Henoch da Silva Reis, localizado na rua Umberto Calderaro Filho, Zona Sul de Manaus.

O prédio da Santa Casa está localizado na rua 10 de julho, no bairro Centro, Zona Sul, em área tombada tanto pelo município de Manaus, quanto pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O valor da avaliação oficial do imóvel era, aproximadamente, R$ 16 milhões. O leilão é resultante de ação do Município de Manaus para execução fiscal de dívida ativa, no processo nº 0888353-75.2012.8.04.0001.

De acordo com o advogado da Fametro, Antônio Lúcio Pantoja, de 30 anos, o objetivo inicial é devolver o local para a sociedade amazonense com atividades voltadas à educação. Ainda segundo ele, há possibilidades de o local ser transformado em um hospital universitário, treinando, assim, alunos dos cursos de saúde da faculdade.

“Vamos manter o que a legislação busca, ao que se refere ao tombamento da estrutura do local, e desenvolver o prédio respeitando a história da Santa Casa. Existe a tendência de que seja um hospital universitário, mas os projetos passam por avaliação dos diretores da instituição”, contou o advogado.

Quanto ao período de restauração, Antônio não informou prazos, mas garantiu que o “local passará por processo de avaliação por profissionais especializados”.

A Santa Casa

O prédio foi construído em 1880 e prestou pleno serviço à sociedade manauara até o ano de 2004. Pelos corredores do hospital circulavam diariamente nomes que hoje só se veem em prédios públicos, como os médicos João Lúcio Pereira Machado e Platão Araújo. Foi no prédio histórico que também morreu o ex-governador do Amazonas, Álvaro Maia, que recebeu assistência do médico Oswaldo Said. Lá também ficou internada dona Balbina Mestrinho, mãe do ex-governador Gilberto Mestrinho.

O prédio totaliza 8.982,36 m² (onde se localizam as dependências da Santa Casa), com o terreno em área de 10.430,26 m² e perímetro de 433,14 m. Tem como limites e confrontações: ao Norte, com a rua 10 de Julho, para onde faz frente; a Leste, com o Palácio da Justiça Clóvis Bevilacqua; ao Sul, com a rua José Clemente e, a Oeste, com a rua Lobo D’Almada. O imóvel é devidamente registrado no Cartório do 1.º Ofício de Registro de Imóveis da Capital, Matrícula nº 26.814.

 

Reduto do tráfico e violência

Desde o fechamento, até então, o prédio era abrigo para moradores de rua que utilizavam o espaço como refúgio seguro para dormir e usar entorpecentes e, além disto, alguns crimes já aconteceram no local. Dentre eles, o caso considerado mais cruel: o assassinato de uma mulher grávida, ocorrido em 13 de junho de 2017.

Leidiane de Souza Ferreira, à época com 20 anos de idade, foi encontrada morta dentro da Santa Casa. Ela estava grávida de oito meses. O assassino, Clilson Silva de Almeida, foi preso e apresentado sorrindo em maio de 2018. Na ocasião, ele disse que matou Leidiane porque ela e o marido estariam vendendo drogas na área de atuação em que trabalhava como traficante.

Outro caso que chamou a atenção da sociedade, ocorreu em novembro deste ano. Uma adolescente de 16 anos foi abusada sexualmente por um homem de 25 anos, na segunda-feira (11). A jovem estava a caminho da escola, quando foi surpreendida pelo criminoso – que cometeu o ato no prédio da Santa Casa. Ele foi preso na última terça-feira (19) e, posteriormente, levado à audiência de custódia.

 

LUAN FREITAS /https://d.emtempo.com.br/amazonas

 

 

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