Fazenda da Esperança, um reencontro com a vida

A Fazenda da Esperança de Maués fica na Diocese de Parintins.

O Coordenador do GEV Nossa Senhora de Lourdes, Elinelson Tavares da Rocha(E), concedeu uma entrevista ao JI, à coluna OLHO CLÍNICO.

 

Para quem ainda não conhece, só ouviu falar, ou as duas coisas, a “Fazenda da Esperança” é uma comunidade terapêutica que atua desde 1983 no processo de recuperação de pessoas que buscam a libertação de seus vícios, principalmente do álcool e da droga. Seu método de  acolhimento contempla três aspectos determinantes: o Trabalho como processo pedagógico; a Convivência em família; e a Espiritualidade para encontrar o sentido da vida.

A Fazenda está de portas abertas em todos os estados brasileiros para acolher homens e mulheres fragilizados pelo consumo das drogas, transformando dor em alegria. O número de comunidades no mundo já ultrapassou uma centena de unidades estruturadas em países da Ásia, África, América e Europa. Trazendo para a nossa realidade, aqui na cidade de Parintins e em outras cidades, como Maués, também existem grupos que cuidam com amor fraterno essas pessoas que precisam de terapia física espiritual.

Estive com o atual Coordenador do GEV Nossa Senhora de Lourdes, Elinelson Tavares da Rocha, que afirmou existirem três grupos na cidade de Parintins.

Concy Rodríguez/OC- Elielson, esclareça aos nossos leitores sobre os trabalhos dos grupos da Fazenda Esperança.

Elinelson- Concy, vou começar falando sobre o  Grupo Esperança Viva-GEV, que é uma extensão da Fazenda da Esperança na cidade de Maués. Foi criado com intuito de dá suporte para os jovens quando saem da Fazenda da Esperança depois de completarem seus 12 meses de recuperação acolhidos naquela Comunidade Terapêutica.

 

Concy Rodríguez/OC- E aqui no município de Parintins, como são realizados os trabalhos, quem apoia,  onde são realizados os encontros?

Elinelson- Antes de lhe responder sobre essas questões, quero ressaltar que A Fazenda da Esperança de Maués fica na Diocese de Parintins. Então, aqui em Parintins, nossas reuniões acontecem todas as quartas feiras às 19:00h aqui na Igreja de Nossa Senhora de Lourdes – Palmares. Mas também tem na Catedral e na rua 5 do Paulo Corrêa. Fazemos também uma ação de distribuição de sopa geralmente de dois em dois meses. Orientamos as famílias que pedem ajuda na questão dependência química e alcoolismo.

Em Maués ainda esta sendo construída a sede da Fazenda da Esperança

 

Concy Rodríguez/OC- Se uma pessoa tiver um familiar dependente e queira contar com ajuda de vocês,  como devem proceder?

Elinelson- Geralmente nos procuram e a gente ajuda , orienta, dá nosso próprio testemunho. Ajudamos também na questão de como ser acolhido na Fazenda da Esperança.

Fazenda da Esperança, em Manaus

 

Concy Rodríguez/OC- Aceitam ajudas, e quais seriam?

Elinelson- Com certeza. Na verdade a Fazenda da Esperança vive e sobrevive de doações. Toda ajuda voluntária é muito bem aceita. Aqui em Parintins fazemos reuniões, como disse anteriormente, e o que podemos receber de doação seria material permanente, por exemplo, Projetor, caixa de som, estamos muito precisando de split pra nossa sala de reunião.

 

Concy Rodríguez/OC- Quem responde pela Fazenda Esperança aqui em Parintins?

Elinelson – Quem responde pela Fazenda atualmente aqui em Parintins, sou eu e uma outra voluntária chamada Carla. Todo trabalho que fazemos é voluntário

 

Concy Rodríguez/OC- Também tive a satisfação de entrevistar a senhora Milena de Carneiro (foto abaixo),  mãe de um dos jovens que foi acolhido pela Fazenda Esperança, e ela dá um emocionante depoimento.

Milena Di Carneiro- Conheci o grupo Esperança Viva Gev, em março de 2015, quando meu filho aceitou ajuda, e foi acolhido na Fazenda da Esperança, após viver 10 anos no alcoolismo e consequentemente nas drogas, vivendo nos bares, botecos, nas ruas e ultimamente vivendo na sarjeta. Após três meses, fui visitá-lo pela primeira vez, critério esse, que é o período de ressocialização, com os demais, que lá estão e com as regras trabalhadas, que são; trabalho, convivência e espiritualidade, que formam o tripé, da Fazenda da Esperança. Só então, tive o primeiro contato com a Fazenda, onde me apaixonei desde o primeiro momento, com a acolhida, com o carisma, com o amor. Foi quando tive a certeza, que ali renascia um homem novo. Um ano se passou e ele estava decidido, fazer pelos outros, que ali chegassem a mesma coisa, que um dia fizeram por ele. Dar de graça, aquilo, que ele recebeu de graça. Eu como mãe, como família, me coloquei a serviço de levar Esperança, a homens, jovens, mulheres e crianças. Famílias, que estão desestruturadas, pelo vício das drogas, do álcool e da prostituição, pessoas que estão nas sarjetas, nas ruas, nos “guetos” das cidades, das periferias, até das nossas comunidades rurais. Como Esperança Viva, também pude transformar o meu “eu”, posso me recuperar todos os dias dos meus vícios, como; das minhas mazelas, das minhas fraquezas, do meu egoísmo, das minhas pobrezas humanas. Meu filho se recuperou na Fazenda da Esperança, Santa Clara, em Óbidos PA. Gosto de citar as Fazendas, como forma de divulgar para quem possa interessar. No último dia 19 de outubro, inaugurou a Fazenda de Itacoatiara. Em breve, teremos a de Maués, e quem sabe num futuro não muito distante, possamos ter uma Fazenda feminina, já que temos o terreno na Vila Amazônia. Deus sabe de todas as coisas. Ser Esperança Viva é está perseverante e persistente na caminhada, para levar e receber, quem possa estar buscando ajuda.  Hoje meu filho Raineson Amaral, é um homem novo, limpo, sóbrio, vivendo um dia de cada vez, como missionário, consagrado à obra. Está voluntário em missão, numa Fazenda da Esperança, em Sena Madureira no Acre. “Somente o amor, pode transformar”.

Concy Rodríguez/OC- Eu me senti feliz no momento que obtive essas informações, é uma obra bastante atraente ao serviço voluntário, então, se você se sentiu tocado, quiser conhecer e ajudar, é só entrar em contato conosco, ou diretamente com o coordenador Elinelson através do número 99368-1988.

 

Concy Rodrigues/Colunista JI

Fotos: Arquivos pessoais

você pode gostar também