Greve dos professores: após fala de Wilson Lima, sindicatos farão assembleias

O governador pediu para que os professores encerrarem a greve e disse que há um viés político-partidário por trás do movimento(FOTO: PEDRO SOUSA)

 

 

As declarações feitas pelo governador Wilson Lima, na tarde de hoje (13), sobre a greve dos professores serão analisadas nesta terça e quarta-feira (14 e 15), em assembleias, pelos dois sindicatos representantes dos professores grevistas. Lima pediu que os professores retornem às salas de aula e disse que “há um viés político-partidário por trás do movimento”.

Em coletiva de imprensa ainda na tarde de hoje, a presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Amazonas (Sinteam), Ana Cristina Rodrigues, chegou a dizer que as declarações de Lima “quebram a mesa de negociação”.

Ana Cristina também rebateu as acusações do governador de que os líderes das paralisações têm interesse partidário. “O governador fecha a mesa de negociações. De repente, age com certa intransigência e nos acusa de coisas que não existem. As acusações dele de que o sindicato age com intenções político-partidárias chegam a ser levianas”, disse.

“Eu sou filiada a um partido político desde os meus 18 anos de idade, assim como ele é filiado ao partido que o elegeu. O meu partido não possui nenhuma ingerência nas decisões do Sinteam, já que quem decide as pautas são os membros do sindicato em assembleia. Ele (Lima) tem de esquecer a agenda partidária dele e agir como governador para as pessoas do estado”, concluiu Ana Cristina.

Por meio de nota, a diretoria do Sindicato dos Professores e Pedagogos de Manaus (Asprom-Sindical) também negou associação partidária. “Este sindicato não pratica e sempre se posicionou contra a prática do atrelamento partidário dos movimentos sociais. No entanto, é direito constitucional de qualquer cidadão ser filiado a partidos políticos, e a Asprom-Sindical respeita a Constituição Federal”, disse a nota.

Ainda segundo a nota, a Asprom-Sindical rebateu as declarações de Lima de que os dois sindicatos não se entendiam. “Estamos juntos com o Sinteam na construção da unidade da luta da categoria do magistério, não sendo verdadeiro que haja uma disputa por protagonismo dentro da greve, e , ao contrário, seguimos juntos na mesa de negociação em busca de representarmos fidedignamente os interesses da categoria dos trabalhadores em Educação do Amazonas”, concluiu a nota.

Assembleias

O governador Wilson Lima também anunciou nesta segunda-feira (13), que vai encaminhar para a Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) um Projeto de Lei com a reposição salarial da data-base dos profissionais da educação, que será de 4,73%, conforme a contraproposta apresentada aos sindicatos da categoria na semana passada. Além disso, o governador assegurou que vai começar a pagar progressões de carreira horizontais e verticais, dobrar o valor do auxílio localidade e ampliar, reajustar o auxílio alimentação e ampliar o vale-transporte dos professores que cumprem 40 horas.

Apesar da reação dos representantes dos dois grupos que comandam a greve e querem 15% de reajuste salarial, as assembleias para apreciação da contraproposta apresentada pelo governo aos professores estão mantidas.

O Sinteam irá realizar a assembleia nesta terça-feira, às 16h, no Atlético Rio Negro Clube, localizado na avenida Epaminondas, 570 – Centro. Já a assembleia da Asprom-Sindical será realizada na quarta-feira, no Auditório Belarmino Lins, na Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE/AM), a partir das 8h.

Greve completa 1 mês nesta semana

Deflagrada no dia 15 de abril, a greve dos profissionais da Educação da rede estadual de ensino irá completar um mês nesta quarta-feira (15). Os professores exigem, entre outras demandas, 15% de reajustes salariais. O governo sinalizou, na última sexta-feira (10), contraproposta de 4,7% de reposição salarial e reajustes nos benefícios como o auxílio-alimentação.

Conforme o Sinteam, de 230 escolas estaduais na capital, ao menos 150 estão com paralisação total das aulas (70%). Já no interior, são ao menos 95% de paralisação das escolas da rede estadual.

Apesar de estarem paralisadas há 28 dias, apenas 16 dias letivos foram afetados, o que não atrapalharia a reposição das aulas, caso o movimento grevista seja encerrado, conforme informou a presidente do Sinteam, Ana Cristina Rodrigues.

 

 

PEDRO SOUSA(Portal Acrítica)

 

 

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