Campanha Caburi

HIPOCRISIA ELEITORAL

De dois em dois anos nosso sistema eleitoral permite escolher nossos governantes, seja do executivo (Prefeitos, Governadores e Presidentes), seja do legislativo (Vereadores, Deputados Estaduais, Deputados Federais e Senadores). Infelizmente este processo é nocivo à nossa democracia, pois em ano eleitoral o único objetivo dos gestores e legisladores é se eleger e na maioria das vezes utilizam-se da máxima de Maquiavel de que “o que importa são os fins e não os meios”, ou seja, não importa como vão se eleger: se vão comprar votos, se vão prometer coisas que não vão fazer ou te chamar de meu amigo e depois desaparecer. A única coisa que importa é se eleger. Deveríamos ter todas as eleições acontecendo em um único ano, sobrando portanto três anos para trabalho efetivo dos eleitos (já existe lei que entrará em vigor em 2018 para unir todas as eleições e em 2020 que acaba com a reeleição no executivo)

Então, em todo ano de eleição no Brasil o que vemos são vereadores com mandato começarem a sair da Câmara e visitar seus cabos eleitorais, visitar seus eleitores, participar de reuniões comunitárias, visitar comunidades rurais, fazer parte de movimentos beneficentes como dia das crianças e natal solidário, coisas que não fizeram durante os outros três anos de mandato, onde nós eleitores só sabíamos que existiam por causa dos bate bocas no plenário, nos escândalos de vídeos, fotos íntimas e passeios de carro na estrada regado a droga e pela venda de gasolina pra fazer visita à Ministro. O Prefeito, que passa o primeiro ano dizendo que estava “organizando a casa”, no segundo ano diz que “é pouco tempo para mostrar trabalho”, no terceiro ano fica só reclamando que “tudo é culpa do ex-prefeito e da crise econômica” mas no quarto ano tudo misteriosamente acaba, a crise vai embora, as obras que iniciaram no mandato do ex-prefeito e estavam paradas por que, segundo o Prefeito, o Governo Federal mandou parar as obras devido a desvios de recursos, de repente é terminada e inaugurada, as ambulanchas que ficaram paradas por três anos voltam a funcionar, as escolas abandonadas por três anos são pintadas e feita a divulgação como uma grande reforma, as ruas que passaram três anos cheias de buracos começam a ser asfaltadas, as comunidades rurais são visitadas mensalmente pelo próprio Prefeito “gente boa”.

Todos, sem exceção, em ano de eleição, são o perfeito exemplo de homem público íntegro e preocupado com a vida da população e com os problemas da comunidade. Tudo hipocrisia, hipocrisia eleitoral.

Mas o pior não é o teatro que eles fazem, o pior é que os eleitores, que imbuídos pelo imediatismo acreditam nas palavras vazias e nas promessas impossíveis e esquecem os anos que passaram abandonados, acham que “agora vai”, quando na verdade “já era pra ter ido”. Um tapinha nas costas e R$ 50,00 já resolvem um voto, não importa se aquele candidato já foi preso por roubo de gado, ou é processado por invasões, ou está envolvido em escândalos sexuais, ou na lista de pedófilos, ou está envolvido em roubo de gasolina, ou desvio de dinheiro de entidades públicas, Associações e similares, ou agressão física à radialistas e colegas de Câmara e outras atitudes ou atividades que colocam à prova a integridade e a honestidade destes candidatos, os eleitores não escolhem seus candidatos procurando quem realmente tem capacidade e uma história de vida que lhe dê a credibilidade e honestidade suficiente para representar os anseios dos comunitários, que não “venda” seu mandato para o Prefeito e passe três dos quatro anos recebendo “mensalinho” – aquele dinheiro desviado das contas da Prefeitura e que paga os vereadores para votarem sempre a favor do Prefeito e contra o povo, e sempre subir na tribuna para elogiar e nunca questionar as coisas erradas que acontecem – e só usando a Câmara para bajular o Prefeito ou defender seus interesses e de sua família, amigos e patrocinadores de campanha.

Este ano de 2016 é novamente ano de eleição, votaremos para escolher o Prefeito e vereadores para os próximos quatro anos e a pergunta que deixo para vocês é: Nosso povo Parintinense vai deixar-se enganar como sempre ou votará como nunca, dando a oportunidade para quem realmente quer representa-los?

Oremos para que a atitude desta vez seja diferente.

 

Harald Dinelly

Colunista JI

Imagem: Internet

 

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