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HISTÓRIAS DO MEU BOI BUMBÁ – Momentos eternizados no meu Coração

Era o V Festival Universitário da UFAM. O ano, não lembro muito bem. José Carlos Portilho (foto) estava no auge, com suas canções e toadas e foi convidado a participar do evento, junto com o Rei Negro, Caprichoso. Com a permissão da Diretoria, Portilho me convidou a integrar o grupo, fazendo parte da Coordenação. Éramos, além de vizinhos, amigos, e eu era uma espécie de ‘termômetro’, na audição de suas canções e toadas.

Fizemos o planejamento. Escolhemos as roupas dos Itens, os Vestidos, os Capacetes, a Tribo Satere-Maué, o Pajé, tudo. Eu, além da coordenação, era responsável pelo dinheiro que arrecadamos para a viagem, que deveria ser gasto com todos: alimentação, bebida, todos juntos. Tudo foi organizado e arrumado a contento.

Dia do evento, 17:00 horas (nossa apresentação era as 19h). A exposição com o Boi e as roupas era uma visitação só. Um grande número de pessoas, incluindo parintinenses, estava no local. A alegria era geral. Fui escolhendo entre os presentes, pessoas para vestir algumas roupas e tive que me fazer de surda, diante dos inúmeros ‘ eu quero sair, eu quero sair”, porque não havia roupa para todos. Bosco Freitas, que era o Pajé e Irlane Cruz, foram encarregados de vestir os personagens.

De repente uma lembrança… fiquei seria e me retirei. Chamei o Zé Carlos e comuniquei: “não temos apresentador. Como vamos nos apresentar? Eu vou até a Rádio Difusora. Lá tem um amigo, radialista. Vou convidar-lo para apresentar o Caprichoso”.

Portilho ficou sério e falou: “Olha no relógio. O show vai acontecer daqui a duas horas. Não dá tempo”. Respondi: “Eu vou. Me chamem um Táxi”. Naquele tempo ainda não havia celular.

Me aprontei rápido. Saindo, encontro Paulo Faria (foto) que havia sido convidado a cantar no evento. Dirigiu-se a mim e me vendo muito séria, perguntou: “Estás com algum problema, Odinéa?”

Contei-lhe o ocorrido e ele: “Pode dispensar o táxi, eu vou apresentar o Caprichoso”. Fiquei toda arrepiada e falei: “me dá um tempo Paulinho?”.

Fui ter com o Zé Carlos e mesmo sabendo das possíveis críticas que receberíamos, resolvemos aceitar a proposta do Paulinho e fomos falar à ele que o aceitávamos como apresentador. Ele me pediu o release da apresentação, que lhe foi entregue imediatamente.

A notícia, claro, se espalhou como rastilho de pólvora: Paulinho Faria, seria o Item 1 do Boi Caprichoso, em Manaus. Foi tititi pra todo lado. Mas não demos confiança.

Hora do espetáculo. Paulinho, vestido elegantemente, microfone na mão, dirige-se ao público que ‘estatelado’ nem piscava os olhos, e fala: “Todo mundo sabe que sou Garantido, mas hoje, como bom parintinense, vou apresentar o boi Caprichoso”.

Faz a entrada triunfal do J. Carlos Portilho e do Grupo Azul e Branco, que entrou e fez a chamada do Boi. E o espetáculo aconteceu. Zé Carlos e o Azul e Branco foram sensacionais. O Boi Caprichoso e os itens, impecáveis. Paulinho, com a desenvoltura que lhe era peculiar e com muito profissionalismo e carisma, deu um show na apresentação.

Creiam, foi um momento que calou fundo em minha alma. Foi um teste que me fortaleceu na caminhada bovina e que me encheu de confiança e paz. O espetáculo foi prazeroso e muito bonito. Ao término, os aplausos paralisaram o tempo.

Nós, eu, Zé Carlos e Paulinho, nos abraçamos, estreitando ainda mais o nosso companheirismo na jornada bovina. Paulinho falou: “somos contrários lá no bumbódromo. Aqui, a força da arte nos leva aos melhores caminhos que conduzem a Parintins”.

Foi uma aula de motivação. Hoje, estou sempre a dizer que sou azul até morrer, mas acima de tudo, sou Parintinense. Jamais deixarei um irmão a deriva. A solidariedade sempre vai falar mais alto.

Paulinho ganhou ainda mais, a minha admiração e respeito. Com esse gesto, fortalecemos muito mais a nossa amizade.

Hoje, é difícil imaginar que não teremos mais J. Carlos Portilho e Paulinho Faria, se apresentando nos shows, vida a fora. Ou Bosco Freitas e Irlane Cruz a nos ajudar nos bastidores desses mesmos shows, com seus trabalhos incansáveis!! Mas, certamente, eles estão eternizados em nossos corações.

 

Por Odinéa Andrade

Fonte: Histórias do meu Boi Bumbá/Facebook

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Publicado por Carlos Frazão/JI

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