LIBERDADE?

Mais uma crônica da nossa querida Irmã Maria Helena. Boa leitura.

 

Piada antiga, que os mais velhos cansaram de ouvir, conta que um senhor bateu à porta de uma casa e pediu água. Atendeu-o senhora que, virando-se para dentro, gritou: “– Diploma traga aqui um copo d’água pro moço”. O homem bebeu, agradeceu,  esperou o garoto sair e perguntou o porquê do estranho nome. A mulher explicou: “– Minha filha foi estudar em São Paulo e esse foi o diploma que ela ganhou”. Isso, nos dias que correm, não causa o menor espanto. Apenas enseja crítica à falta de cuidado, (ou burrice mesmo) da jovem, que não se preveniu. Até em vilarejos – em ambiente universitário, então, nem se fale – a maioria da população dá como coisa natural que os jovens gozem de liberdade tão ampla quanto permite o dinheiro dos pais.

O padrão ético do Ocidente aceitará qualquer comportamento como válido sempre que trouxer satisfação imediata. O critério será a vantagem que se pode levar, nenhum outro. Só um perfeito idiota deixa escapar uma chance de obter dinheiro, poder ou prazer. Assim pensa a maioria. Eu penso de outra forma. Incluo-me entre os ingênuos que acreditam possível um mundo honesto, íntegro, pautado em valores perenes, porque fundados na humana dignidade.

Coisas esquisitas andam acontecendo em nossas cidades. Leio que diretora de escola não pode exigir pontualidade ao horário de entrada dos alunos. Sei não, mas, pelo que se vê, logo, logo, empresa aérea ou administradora de aeroporto será processada por fixar horário de embarque. Não está violando o “direito” do passageiro de dormir quanto quiser? Se há crianças então, não será o caso de acionar o Conselho Tutelar? A dor de perder uma viagem não configura risco para os pequenos?

Na minha infância no sítio, estudei na escola da cidade, a sete quilômetros de distância. Não faltei à aula um dia sequer. Nem cheguei atrasado. Colegas havia que moravam mais longe. Não nos atrasávamos. Simplesmente saíamos de casa mais cedo. O portão era fechado ao sinal de início das aulas. Um servente ainda lá permanecia por um quarto de hora. Algum eventual retardatário era levado a explicar-se na diretoria. Ninguém morreu por causa disso.

Também leio que universitários se revoltam com a dificuldade de promover festas. Festa faz parte da vida. É um direito, sem dúvida. Mas me intriga uma questão: festejar o quê durante o ano letivo? E, tirantes férias, feriadões, feriados de um dia, finais de semana, horas gastas em barzinhos…, quanto tempo sobra? Tempo para estudar ou para festar? Festa se faz à noite, eu sei. Seus efeitos, porém, podem durar dias. Que diversões rolam em tais festas? Em algumas creio que os pais não gostariam de ver seus filhos metidos. Por que evocar aqui os pais? Ora, quem paga as contas? Eles bancam o estudo dos filhos. Falam que os filhos estão estudando. Mas será que estão mesmo?

País nenhum se desenvolve sem milhares de profissionais de acurada formação cultural, científica e tecnológica. Progresso verdadeiro não dispensa o esforço, a disciplina, o trabalho sério. Vide Inglaterra, Alemanha e Japão do pós-guerra e, na atualidade, Tigres Asiáticos e China. Sinal de que lá os estudantes pensam em coisas mais sensatas do que som agressivo, pegação e bebedeira. Preocupam-se com um futuro honroso para si e para seu país.

E nós, vamos continuar deitados em “berço esplêndido”?

 

 

Irmã Maria Helena Teixeira

Colaboradora JI