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Lixeira de Parintins é discutida em audiência pública

Resultado de uma manifestação feita nas ruas de Parintins no dia 13 de novembro, a audiência pública para tratar diversos assuntos relacionados a lixeira foi realizada na manhã desta quarta (18), no auditório do Centro de Estudos Superiores de Parintins (Cesp – UEA).

O auditório da UEA ficou pequeno para a audiência. Centenas de participantes tiveram que ficar em pé para acompanhar as discussões. Universitários, moradores de bairros adjacentes ao lixão, professores, secretários municipais, membros de movimentos sociais, líderes comunitários e sociedade civil organizada estiveram presentes na sessão solene organizada pela Câmara Municipal e organizadores do movimento por melhorias no lixão.

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Um dos líderes do grupo organizador da manifestação que culminou com a audiência, professor Eliseu Souza, afirmou durante sua fala que a população deve ser tratada com mais respeito. “Não estamos pedindo muito. Apenas o direito de viver dignamente. Parintins, que tem apresentado o maior festival folclórico para o mundo, merece o direito de ter uma vida digna para os seus moradores”, frisou.

Riscos

No decorrer da audiência, professores expuseram os riscos que a lixeira oferece aos moradores das redondezas e alunos/professores da UEA. Em uma breve palestra, o professor Rainiomar Fonseca elencou as consequências negativas que o lixão trará à vida da população parintinense devido à queimada que ocorre desde o início de outubro. Segundo ele, os resíduos incinerados liberam gases óxido de enxofre e monóxido de carbono, considerados um perigo a saúde devido a problemas respiratórios que podem causar e a iminência na contração de câncer.

Vaias

Cansados de promessas, em diversos momentos os presentes na audiência vaiaram os vereadores durante os discursos. Os principais alvos foram os aliados do prefeito Alexandre da Carbrás. O presidente do legislativo, Everaldo Batista (PROS), pediu, por diversas vezes, ordem, mas também foi vaiado.

Atraso de Carbrás

No início da sessão foi anunciado que o prefeito de Parintins, Alexandre da Carbrás (PSD), não estaria presente. Divulgou-se que ele seria representado pelo secretário Marcos da Luz.

Por volta das 11h30min, Carbrás chegou nas dependências da UEA para participar da audiência. Ao adentrar no auditório, foi recebido com vaias pela grande maioria, que questionava o porquê de ele ter chegado apenas no fim das discussões. “Eu não estou preocupado com vaia, eu não me preocupo com isso”, disse. “Fizeram uma audiência pública? Fizeram. Eu fui convidado? Fui, e aqui estou”, falou referindo-se aos que lhe vaiavam.

Ao ter o direito a fala pela última vez, Alexandre disse que participará da busca de soluções para a lixeira. Ele propôs que todos se unissem para buscar, em Manaus ou Brasília, apoio e verba para solucionar a questão. Carbrás até se colocou à disposição de todos para pagar passagem de quem quiser ir com ele a Brasília em busca da resolução para a problemática. A fala gerou risos em muitos dos participantes da audiência, que afirmaram já estar aguardando o cumprimento da promessa.

Propostas

Fora todas as discussões, diversas propostas foram elencadas durante a audiência para resolver os distúrbios ocasionados pelo lixão. A comissão composta por professores da UEA elaborou sugestões de ações a curto, médio e longo prazo que serão discutidas junto a vereadores, prefeitura e sociedade civil organizada. Dentre as indicações, tem-se a criação de uma comissão permanente de fiscalização da lixeira, desenvolvimento da coleta seletiva, construção de um aterro sanitário e apoio à Associação dos Catadores de Lixo de Parintins (Ascalpin)

 

Daniel Sicsú / JI

 

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