MARIA MULHER DA ESCUTA E DA VIVÊNCIA DA PALAVRA

A virtude de Maria mais explicitada nas Escrituras é o silêncio. “Maria guardava fielmente tudo no silêncio de seu coração” (cf. Lc 2, 19. 51).

Aprendemos com Maria a arte do verdadeiro silêncio. Um silêncio que nos leva à escuta amorosa da Palavra de Deus e nos convida a buscar em tudo a vontade do Pai através do acolhimento e da vivência da Palavra. Aliás, com Maria podemos aprender o segredo do verdadeiro discipulado missionário.

Meditando as poucas palavras de Maria nos Evangelhos, podemos penetrar no seu santuário e perceber toda a sua grandeza. Vemos aí a sua presença permanente ao lado de Jesus e das necessidades da humanidade.

O Magnificat é a transparência da alma de Maria que, profundamente tocada pelas palavras de sua prima Isabel ao exaltar a sua fé, canta de alegria com palavras de louvor ao Senhor Todo-poderoso, a partir de seu conhecimento e de sua vivência da Palavra.

Podemos então, colocar em evidência a dinâmica do olhar de Maria, que faz brotar a sua oração contemplativa e o seu compromisso de entrega a partir da escuta da Palavra de Deus e da realidade.

Três palavras resumem a atitude de Maria: escuta, decisão e ação. Palavras que indicam um caminho também para nós diante do que o Senhor nos pede.

Maria sabe escutar a Deus. Não é um simples “ouvir” superficial, mas é a “escuta” feita de atenção, de acolhida e de disponibilidade para com Deus. Não é o modo distraído com o qual muitas vezes nós nos colocamos diante do Deus e dos outros: ouvimos as palavras, mas não as escutamos realmente. Maria escuta a Deus. Maria escuta também os fatos, lê os eventos da vida e está atenta à realidade concreta: como a gravidez da prima Isabel e a falta de vinho nas Bodas de Caná. Ela sabe que “Nada é impossível para Deus” (Lc 1, 37).

Ela toma decisão, no momento decisivo da Anunciação do Anjo, Ela pergunta: “Como pode ser isso?” (Lc 1, 34). Após indagar ela decide e responde: “Eis aqui a serva do Senhor…” (cf. Lc 1,38), Ela está atenta seja nas escolhas diárias, como também em situações específicas. Lembro-me do episódio das bodas de Caná (cf. Jo 2,1-11): também aqui se vê o realismo, a humanidade e a concretude de Maria, que está atenta aos fatos, aos problemas; vê e compreende a dificuldade daqueles jovens esposos aos quais falta o vinho da festa, reflete e sabe que Jesus pode fazer algo, e decide pedir ao Filho para que intervenha: “Eles não têm mais vinho”.

Maria na Anunciação, na Visitação, nas bodas de Caná, coloca-se na escuta de Deus, reflete e procura compreender a realidade, e decide confiar totalmente em Deus.

O agir de Maria é uma consequência da sua obediência às palavras do Anjo, unida à caridade: Ela sai de si mesma e, por amor, leva o que tem de mais precioso: Jesus e sua Palavra Salvadora.

Como Maria, somos convidados a escutar, decidir e agir, para que Jesus o VERBO encarnado, seja conhecido, amado e servido.

 

Irmã Maria Helena Teixeira

Colaboradora  JI

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