Marinha comemora os 155 anos da Batalha Naval do Riachuelo

A data Magna da Marinha, é neste 11 de junho de 2020.

O presidente da SOAMAR MANAUS, Sérgio Vianna (D), na foto com o ex Agente Fluvial de Parintins, então CT Manoel Ribeiro, emitiu nota sobre a data magna da Marinha do Brasil.

Diz a nota:

No transcorrer dos 155 anos da BATALHA NAVAL DO RIACHUELO, a SOAMAR MANAUS, e  os SOAMARINOS, vem de maneira respeitosa e institucional, render homenagens aos nossos! Heróis da Guerra do Paraguai, na comemoração de seu capítulo mais significativo, a BATALHA NAVAL DO RIACHUELO.

Na data Magna da Marinha, neste 11 de junho de 2020, colocamo-nos, solenemente perfilados, cientes da representatividade da expressiva data.

Ao Comandante do Nono Distrito Naval, Vice Almirante COLMENERO, e a todos tripulantes do 9° DN, e as OM Subordinadas, e a MARINHA do BRASIL, nossos votos de PARABÉNS

BRAVO ZULU.

Sérgio Vianna

Presidente da Soamar Manaus

 

A BATALHA NAVAL DO RIACHUELO

(Imagem: Internet)

A Batalha Naval do Riachuelo é considerada como decisiva. A vitória obtida pela Marinha brasileira garantiu o bloqueio, impedindo que o Paraguai recebesse armamento do exterior, inclusive os navios encouraçados que havia encomendado na Europa e que depois foram adquiridos pelo Brasil; assegurou para os aliados da Tríplice Aliança a utilização dos grandes rios da região, principais vias de comunicação e “artérias” logísticas para os Exércitos; dissuadiu possíveis aliados do Paraguai, argentinos e uruguaios, de entrarem no conflito, que perdera a chance de ser rápido, com possibilidade de vitória paraguaia. De uma estratégia inicialmente ofensiva, o Paraguai, logo depois de Riachuelo, passou para uma estratégia defensiva, perdera as chances de ganhar a guerra. Hoje, comemoramos os 152 anos desta batalha, que é considerada pela Marinha do Brasil como a principal vitória naval de sua História.

 

Batalha Naval do Riachuelo – 11 de junho 1865

Os Heróis desta grande Batalha

Barão do Amazonas – Almirante Francisco Manoel Barrozo da Silva

Destacou-se sempre, como oficial e comandante-chefe. Realizou longas viagens de instrução com turmas de guardas-marinhas, revelando-se verdadeiro homem do mar. Herói da Guerra do Paraguai, foi vencedor da Batalha Naval do Riachuelo em 11 de junho de 1865, quando,

investindo com a proa da sua capitânia – a fragata Amazonas – contra os navios inimigos que lhe estavam mais próximos e pondo-os a pique, decidiu a favor do Brasil a sorte da luta. Duas frases de Barroso deixaram claros sua fibra e seu patriotismo, entrando para a nossa história:

“Atacar e destruir o inimigo o mais perto que puder” e “O Brasil espera que cada um cumpra o seu dever”. A importância de sua atuação na Batalha Naval do Riachuelo foi reconhecida pelo governo imperial, que lhe concedeu a Ordem Imperial do Cruzeiro e o título honorífico de Barão do Amazonas.

Guarda-Marinha João Guilherme Greenhalgh

Durante a Batalha Naval do Riachuelo em 11 de junho de 1865, foi o seu navio, a corveta Parnaíba, abordado a um só tempo por três navios paraguaios e teve sua tolda a ré ocupada pela turba inimiga. Defendendo com todas as forças de bravura e de heroísmo o pavilhão nacional, que um oficial paraguaio tentava arriar, viu-se Greenhalgh acutilado por todos os lados e tombou ferido de morte no convés de seu navio, no mesmo dia 11 de junho.

Naquele episódio brada-lhe o inimigo: “Larga esse trapo!”. Porém Greenhalgh não consente que se consuma tão monstruosa afronta a sua Pátria; em punha sua arma e a descarrega sobre o adversário. Os paraguaios, em onda, avançam para o herói e decepam-lhe a cabeça. Cai Guilherme Greenhalgh, mas, não caiu a bandeira do Brasil. No mastro ela ficou firme e serena, ocasionalmente sacudida pela brisa que a envolvia. Por isso, a Marinha lhe tem dedicado, em várias épocas, um navio de guerra com a auréola de seu nome para que, com o navio, sintam os marinheiros de hoje a grande responsabilidade de bem servir à Pátria com fervor e patriotismo consciente, que deve ser a mística, como foi do guarda-marinha herói.

Imperial marinheiro de 1ª classe Marcílio Dias

Cidadão exemplar, sinônimo de respeito à disciplina, às leis e à ordem, de amor à pátria e à nação. Seus atos de bravura estavam acima das diferenças dos sistemas de governo, condensava o que se esperava de um defensor das fronteiras, da nação e das riquezas nacionais, era a referência a ser apreendida pelos estudantes das escolas civis e militares de baixa patente, tornou-se o homem negro comum esperado após a escravidão (disciplinado, trabalhador e subserviente às regras). Marinheiro que morreu lutando e se transformou em modelo para a Marinha educar seus homens. Ao contrário do almirante Tamandaré (1807-1897), patrono da Marinha de Guerra do Brasil, Marcílio Dias teve uma vida sem grandes glórias ou condecorações. Era um marinheiro de 1ª classe como tantos outros, e foi recrutado à força para servir. Não era branco, e durante muito tempo mal se sabia sua origem familiar, nem onde ou quando nascera. Ainda assim, ele se tornou um símbolo de bravura, reverenciado até hoje como exemplo de dedicação à pátria. Foi à morte que o eternizou. Era manhã de domingo, dia 11 de junho de 1865, quando a esquadra paraguaia surpreendeu os brasileiros fundeados na curva do Rio Paraná, em frente à foz do Riachuelo. Durante o combate, o navio brasileiro Jequitinhonha encalhou, dificultando a formação em linha das embarcações. A canhoneira Parnahyba, que estava atrás, também se isolou das outras e foi abordada pelos navios paraguaios Taquary e Salto. Iniciou-se, então, uma sangrenta batalha homem a homem no convés do navio brasileiro.

A situação ficou crítica com a chegada de outra embarcação inimiga, o Marquês de Olinda, que fora apresado e estava em mãos paraguaias havia alguns meses. Na primeira parte do conflito, foram cerca de doze horas ininterruptas de combate. Só então os navios brasileiros recuaram para reunir outras embarcações (a fragata Amazonas, o vapor Belmonte e a canhoneira Mearim) e voltar ao palco da guerra. O reforço surtiu o efeito esperado, e as tropas paraguaias foram finalmente vencidas. Muitos tremeram no calor da luta. O livro de bordo da Parnahyba registra casos de marinheiros que se jogaram no rio abandonando o confronto, que provocou 216 baixas brasileiras, entre mortos e feridos. No relatório oficial sobre o episódio, começaram a surgir aqueles que seriam lembrados como heróis da Batalha Naval do Riachuelo, crucial para a Guerra do Paraguai (1864-1870). Escrito pelo comandante da Parnahyba, o capitão-tenente Aurélio Garcindo Fernandes de Sá (1829-1873), destaca vários oficiais, sargentos, soldados e marinheiros. Mas o espaço maior ele reserva para Marcílio Dias, que morreu enfrentando os inimigos na ponta da espada:

O imperial marinheiro de 1ª classe Marcílio Dias, que tanto se distinguira nos ataques de Paissandu, imortalizou-se ainda nesse dia. Chefe do rodízio raiado, abandonou-o somente quando fomos abordados para sustentar braço a braço a luta do sabre com quatro paraguaios. Conseguiu matar dois, mas teve de sucumbir aos golpes dos outros dois. Seu corpo, crivado de horríveis cutiladas, foi por nós piedosamente recolhido, e só exalou o último suspiro ontem pelas 2 horas da tarde, havendo-lhe prestado os socorros de que se tornara a praça mais distinta da Parnahyba. Hoje, pelas 10 horas da manhã, foi sepultado com rigorosa formalidade no rio Paraná, por não termos embarcação própria para conduzir seu cadáver a terra.

Como menciona o comandante, aquele não havia sido o primeiro ato de bravura do marinheiro. Destacara-se também na tomada de Paissandu, em janeiro do mesmo ano. A ofensiva depôs o presidente uruguaio, general Atanasio Cruz Aguirre (1801-1875), e levou o general Venâncio Flores (1808-1868) ao poder – episódio que fez o Uruguai entrar na guerra, formando a Tríplice Aliança ao lado de Brasil e Argentina.

Conquistada a cidade, Marcílio Dias subiu até o alto de uma igreja e gritou: “Vitória!”, fazendo tremular a bandeira brasileira.

 

Bibliografias:

COSTA, Dídio. Marcílio Dias: imperial marinheiro. Rio de Janeiro: Mundomar, 1943.

História : ensino fundamental e ensino médio : a importância do mar na história do

Brasil / coordenação Carlos Frederico Simões Serafim; organização Armando de Senna

Bittencourt. – Brasília : Ministério da Educação, Secretaria de Educação Básica, 2006.

216 p. : il.color. (Coleção Explorando o ensino ; 13)

Pesquisador: 1° Ten.(AA) Márcio Luiz Neto.

Postado por Carlos Frazão/JI

 

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