MASSACRE NA ESCOLA

Guilherme Taucci Monteiro, 17 anos, foi um dos atiradores do massacre de Suzano, na Região Metropolitana de São Paulo. Ele teria se suicidado na escola – Reprodução/ Facebook

 

O número de mortos no atentado à Escola Estadual Raul Brasil em Suzano, na Região Metropolitana de São Paulo, subiu para dez no início da tarde desta quinta-feira. Dois homens entraram na escola por volta das 9h30, mataram seis pessoas no local, feriram outras onze, das quais duas morreram após serem socorridas.

Os dois atiradores teriam se matado no local após se depararem com o Grupo de Ações Táticas Especiais (GAT), segundo o secretário de segurança de São Paulo, João Camilo Pires de Campos, durante coletiva de imprensa. Os corpos seguem para o Instituto Médico-Legal da região.

Confira a relação de vítimas fatais, segundo o secretário de Segurança de São Paulo:

– Dono de locadora de carro Jorge Antonio Moraes (morreu no hospital)

– Coordenadora pedagógica Marilena Ferreira Vieira Unezo

– Funcionária da escola Eliana Regina de Oliveira Xavier

– Aluno Paulo Henrique Rodrigues

– Aluno Cleiton Antonio Ribeiro

– Aluno Caio Oliveira

– Aluno Samuel Melquiades Silva de Oliveira

– Aluno João Vitor Ramos Lemos (morreu a caminho do hospital)

– Atirador Guilherme Taucci Monteiro, 17 anos

– Atirador Luiz Henrique de Castro, 25 anos

Inicialmente, os autores dos disparos foram descritos como adolescentes. Mais tarde, a polícia informou que um deles teria 17 anos, identificado como Guilherme Taucci Monteiro, e outro teria 25, e foi identificado como Luiz Henrique de Castro. Ele faria 26 anos no próximo sábado. O secretário de segurança confirmou que os dois são ex-alunos da escola. Guilherme saiu da escola no ano passado.

 

O governador de São Paulo, João Doria, se disse consternado e manifestou solidariedade aos familiares das vítimas e dos atiradores suicidas. “Estou profundamente triste, muito impactado. Nunca tinha visto uma cena igual, a mais triste que vi na minha vida”, disse.

O secretário estadual de Segurança de São Paulo, João Camilo Pires de Campos, disse que este é o dia mais triste de sua vida.

O comandante da PM, coronel Marcelo Sallles, informou que os armamentos utilizados no massacre chamaram a atenção. “Foi uma ação vil e imponderável. Em mais de 30 anos de serviço nunca tinha visto algo do tipo”, disse.

Apenas um dos atiradores usou arma de fogo, um revólver calibre 38, descrito como velho e com a numeração raspada. A arma de fogo teria sido utilizada por Guilherme.

Uma arma medieval com flechas chamada besta também foi utilizada, segundo o comandante da PM. Um arco e flecha e uma machadinha também estava entre as armas apreendidas. Foram encontrados quatro carregadores de armas de plástico e artefatos que pareciam explosivos, que foram avaliados por agentes do GAT. A necrópsia identificará como as vítimas foram feridas.

O comandante-geral da PM, coronel Marcello Salles, descreveu o que já se sabe da ação dos bandidos.  Primeiro, os dois foram à locadora de carros de Jorge Antonio Moraes, que seria parente de um dos atiradores. Ele foi baleado no local e veio a óbito no hospital, sendo a décima vítima fatal do massacre.

Os atiradores roubaram um onyx branco da locadora com o qual dirigiram para a escola. A Polícia Militar foi acionada após os disparos que atingiram Jorge e em seguida foram para a escola.

Os dois entraram pela porta da frente da escola, que estava com o portão aberto. Eles foram recebidos pela coordenadora pedagógica, quem mais conhecia Guilherme. A funcionária Eliana Regina de Oliveira Xavier também foi morta.

Era hora do recreio do Ensino Médio e eles se dirigiram ao pátio. Lá, mataram quatro estudantes: Paulo Henrique Rodrigues, Cleiton Antonio Ribeiro, Caio Oliveira e Samuel Melquiades Silva de Oliveira. Um quinto aluno, João Vitor Ramos Lemos morreu na ambulância a caminho do hospital.

Após os disparos no pátio, os atiradores se encaminharam para o curso de línguas, onde professora e alunos se trancaram na sala, segundo o comandante da PM Marcelo Salles.

Segundo o secretário de Segurança, os assassinos se depararam com os três agentes do GAT e teriam se matado no corredor do fundo da escola. O vídeo abaixo mostra os estudantes saindo correndo da escola. O veículo branco foi utilizado pelos atiradores.

A escola é referência na região e oferece ensino fundamental e médio e um centro de estudos de língua.

O atentado causou caos e pânico. Estudantes saíram correndo e se abrigaram em lojas próximas. O governador João Doria (PSDB) cancelou toda sua agenda e se dirigiu ao local para acompanhar o trabalho de resgate e atendimento aos feridos.

Um vídeo impublicável registra corpos caídos no interior da escola, a ação de PMs e colegas horrorizados com a cena.

Uma página local divulgou um vídeo com viaturas no local.

Confira:

O secretário de Segurança de São Paulo explicou que a Polícia Civil vai fazer a reconstituição do crime. Agentes foram às casas dos autores do crime. O encadeamento dos fatos no interior da escola assim como alguns detalhes do crime ainda estão imprecisos, explicou João Camilo Pires.

Comandante da PM compara massacres

O comandante-geral da Polícia Militar, Marcelo Salles, disse que neste tipo de fenômeno criminal os atiradores miram alvos aleatórios, procurando “maior dano possível”. Ele disse que no país houve cinco massacres do tipo: um ataque ao Shopping Morumbi na década de 2000 em São Paulo, o ataque à Catedral de Campinas em dezembro de 2018, o caso desta quarta-feira, outro no estado de Minas Gerais não especificado por Salles e o massacre de Realengo, no Rio em 2011.

Joao Doria: ‘Cena mais triste da minha vida’

O governador do Estado de São Paulo Joao Doria foi à escola, mas já retornou à capital paulista. Ele disse que solicitou à Secretaria Estadual de São Paulo que reforçasse o atendimento psicológico aos afetados pela tragédia.

Massacre de Realengo

No dia 7 de abril de 2011, por volta das 8h30, um homem invadiu duas salas do 8º ano da Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, Zona Oeste do Rio de Janeiro, matou 12 crianças, maioria meninas, feriu onze e se matou. O autor do massacre foi o ex-aluno Wellington Menezes de Oliveira, de 23 anos. Ele portava dois revólveres.

O homem que abriu fogo na Catedral de Campinas em dezembro do ano passado e matou cinco pessoas congratulou o autor do massacre em Realengo em um diário.  

 

Por Adriano Araújo e Beatriz Perez

odia.ig.com.br/

 

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