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Médico Daniel Tanaka que sobreviveu ao Coronavírus é contra realização do Festival de Parintins

Existem dois modos de enxergar a possível realização da festa.

Na postagem o médico revelou que como médico e profissional de Saúde  vivênciou dezenas de óbitos e “chorou dezenas de vezes com famílias enlutadas”, vítimas da Covid 19

 

Num artigo intitulado “NÃO AO FESTIVAL 2020” e publicado nas redes sociais na noite de 16 de julho, o médico anestesista Daniel Tanaka, que atuou na coordenação do enfrentamento a pandemia do novo coronavírus em Parintins, e acabou sendo infectado durante ajudar os pacientes, depois ficou internado e em tratamento no Hospital Regional Jofre Cohen e no final do mês de maio, continuou tratamento no Hospital do Coração, em São Paulo, apresenta vários pontos e coloca-se contra a realização da disputa entre Caprichoso e Garantido, no Festival Folclórico de Parintins, para 2020. Ele enumerou vários tópicos para embasar a bandeira do Não ao festival.

O evento chegou a ser anunciado para os dias 6,7 e 8 de novembro pelos presidentes dos bumbás, no Portal Acritica, no dia 10 de julho a tarde. Mas a informação não foi confirmada pelo patrocinador e organizador maio do evento o Governo do Estado. A nota do governo diz que apenas um equipe técnica sanitária e técnica cientifica pode indicar algum data.

“Existem dois modos de enxergar a possível realização da festa.A primeira visão é uma questão de bom senso e de sensibilidade com as famílias enlutadas. Nessa visão, proceder a um festival que vai aglomerar pessoas de forma singular e com alto potencial de explosão nas contaminações ( é ilusório e até infantil acreditar que haverá respeito a medidas sanitárias como de distanciamento social) é, ao meu ver, ser insensível às mais de cem famílias parintinenses que tiveram a perda do ente querido. Além de insensibilidade, é ao meu ver falta de respeito”, escreveu.

Daniel Tanaka lembrou que se a gestão da prefeitura de Parintins “não tivesse tomado medidas de prevenção, visando o distanciamento, como o decreto da obrigatoriedade do uso de máscaras e do toque de recolher, e não tivesse dado ouvidos ao corpo de saúde para se armar de maneira precoce para o enfrentamento da pandemia, “não estaríamos chorando a morte de 92 cidadãos e cidadãs até então, mas possivelmente de milhares de mortos”.

Daniel Tanaka revelou que como médico e profissional de Saúde  vivênciou dezenas de óbitos e “chorou dezenas de vezes com famílias enlutadas”, vítimas da Covid 19, lembrou que ” A pandemia ainda não teve fim. A Covid 19 ainda não tem cura. A vacina é apenas uma promessa no momento. A maioria das pessoas não estão ainda imunes. Vamos respeitar esse duro momento. Não se pode colocar à prova vidas de pessoas vulneráveis. O brincante do festival de novembro, pode estar enterrando seu pai, sua mãe, seu avô ou sua avó em Dezembro, mês do nascimento de Cristo. Não ao Festival 2020. Não sujem o nome desse patrimônio cultural de sangue. O valor da Vida é Maior.

Sim ao Festival 2021. Será o maior é mais lindo Festival”.

 

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NÃO AO FESTIVAL 2020

Existem dois modos de enxergar a possível realização da festa.

A primeira visão é uma questão de bom senso e de sensibilidade com as famílias enlutadas. Nessa visão, proceder a um festival que vai aglomerar pessoas de forma singular e com alto potencial de explosão nas contaminações ( é ilusório e até infantil acreditar que haverá respeito a medidas sanitárias como de distanciamento social) é, ao meu ver, ser insensível às mais de cem famílias parintinenses que tiveram a perda do ente querido. Além de insensibilidade, é ao meu ver falta de respeito.

A grandiosidade do festival como manifestação folclórica e a importância econômica do mesmo não se sobrepõe ao momento de tristeza. E aumentar o nível de contaminação, que de fato acontecerá caso o festival seja realizado, é diminuir a importância de cada vida perdida. É minimizar o valor da Vida. Sobrepor motivação financeira aumentando a mortalidade é extrapolar o limite do razoável para um ano de imenso sofrimento.

Talvez os que defendem tal ideia não devam ter perdido um pai, uma mãe ou um grande amigo para a Covid 19.

A segunda visão, que discute viabilidade do evento, no qual as agremiações defendem a realização segundo estudos ( os quais foram citados pelos Bois, e não foram apresentados, mesmo após requisição pela Defensoria Pública, podendo configurar crime de desobediência portanto) é totalmente rasa, superficial. Não há estudos conclusivos sobre a questão da imunidade e controle da pandemia no âmbito do Estado e, em especial, do município de Parintins. A diminuição da incidência de óbitos e internações não garante que a população esteja de fato imunizada. Traduz sim que as medidas de distanciamento e uso de máscaras têm significância, mas não tem valor preditivo que se possa colocar à prova num evento em que é impossível dizer que respeitará medidas sanitárias cabíveis. É uma afronta à inteligência das pessoas querer que acreditem que essas medidas sejam plausíveis.

Já o Estado do Amazonas, caso se posicione a favor da realização da festa, estaria desrespeitando a desastrosa história recente a qual foi protagonista desse desastre, o qual contou inclusive com câmaras frigoríficas para armazenar corpos na porta de hospitais. O Governo, ao não ter se preparado para o enfrentamento de maneira adequada e precoce, passou longe de ser um exemplo no quesito previsões epidemiológicas.

Se a gestão municipal não tivesse tomado medidas de prevenção, visando o distanciamento, como o decreto da obrigatoriedade do uso de máscaras e do toque de recolher, e não tivesse dado ouvidos ao corpo de saúde para se armar de maneira precoce para o enfrentamento da pandemia, não estaríamos chorando a morte de 92 cidadãos e cidadãs até então, mas possivelmente de milhares de mortos.

Esperar, portanto, do Governo do Estado e seus órgãos de vigilância, estudos ou previsões sobre viabilidade de eventos como um festival que reúne milhares de pessoas num ambiente festivo, numa cidade-ilha, e confiar nesses estudos, é creditar uma catástrofe.

Com relação aos Bois, quando defendem tanto os trabalhadores, que terão prejuízos com a não realização da festa, a de se destacar que historicamente essa preocupação com os trabalhadores não é prioridade para eles, visto o enorme déficit que possuem em processos trabalhistas que não fizeram questão de honrar.

Então, desculpe a sinceridade, não cola esse argumento.

A pandemia ainda não teve fim. A Covid 19 ainda não tem cura. A vacina é apenas uma promessa no momento. A maioria das pessoas não estão ainda imunes.

Vamos respeitar esse duro momento.

Não se pode colocar à prova vidas de pessoas vulneráveis.

O brincante do festival de novembro, pode estar enterrando seu pai, sua mãe, seu avô ou sua avó em Dezembro, mês do nascimento de Cristo.

Não ao Festival 2020. Não sujem o nome desse patrimônio cultural de sangue.

O valor da Vida é Maior.

Sim ao Festival 2021. Será o maior é mais lindo Festival.

Daniel Tanaka

Médico, profissional de Saúde que vivênciou dezenas de óbitos e chorou dezenas de vezes com famílias enlutadas. Vítimas da Covid 19.

 

 

TEXTO: Hudson Lima Koiote

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(92) 991542015

 

 

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