Campanha Caburi

Mulheres realmente livres

140 anos depois de instituído o Dia Internacional da Mulher, a luta continua em todos os espaços que atuamos, principalmente no campo profissional. Mas dentre tantas destas lutas, talvez uma se manifeste de forma ainda tímida – A Liberdade, em seu mais pleno significado: o direito de agir segundo o nosso livre arbítrio, de acordo com a nossa vontade, desde que não prejudique outra pessoa.

Sim, falta-nos a liberdade real.

Esta ausência de liberdade, é um detalhe em meio a tantos direitos conquistados. Mas, um detalhe que tem relação direta com a VIDA, a nossa vida, pela qual somos responsáveis moral e espiritualmente.

Não tem nada a ver com idade ou classe social. É resultado da sociedade ditando as regras que devemos cumprir para que tenhamos sua aprovação e consequentemente podermos estar inseridas nela. O que de uma forma ou de outra, ainda nos mantém em um tipo de “clausura” que nos obriga muitas vezes:

– a nos silenciarmos quando queremos falar,

– a assumir um comportamento que muitas vezes não é o que queremos adotar,

– a usar as roupas adequadas aos padrões estabelecidos por esta sociedade,

– a não falar palavrões quando temos vontade de soltar um “f…-se”,

– a não falar de sexo publicamente,

– a não rir alto porque não é educado,

– a não andar rebolando porque é vulgar,

– a não ter filhos de pais diferentes mesmo que isso seja uma escolha sua e você seja a única responsável pelo sustento dos mesmos,

– a não engordar demais porque está desleixada,

– a não ficar magra demais porque está acabada,

– a não casar com um homem muito pobre porque é burra, mas, se casar com um rico é interesseira,

– a não ficar solteirona, mesmo que assim você queira,

– a ir a um tipo de instituição religiosa, mesmo quando você não quer pois  fortalece sua espiritualidade de outra forma,

– a ficar casada com quem você não ama mais,

– a aguentar o marido que te trai com o mundo inteiro, mas, você tem que fazer de conta que não sabe,

– a sofrer ofensas e muitos tipos de agressões sem poder denunciar seu “esposo” porque a família deve estar acima de tudo.

 

Todos os dias, todas as horas temos que seguir as “orientações” estabelecidas por uma sociedade para sermos respeitadas pela mesma, do contrário, do contrário corremos o risco de ficar ao limbo e marginalizadas.

 

Felizmente tem um número de mulheres, que luta por esta tão sonhada liberdade de ser 100%livres…respeitando as pessoas, mas, pedindo respeito para o direito de serem quem elas querem ser.

A elas meus parabéns duplicado neste 08 de março.

Liberté,Egalité (Liberdadeigualdade).

 

 

 

Márcia Nogueira

Colunista JI

Foto: Hiram Reis e Silva (Livro: DESAFIANDO O RIO-MAR, DESCENDO O NEGRO)

 

 

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