Na porta do presídio: coitada daquelas mulheres…

São mães, esposas, filhas e noras que se aglomeram na porta do presídio, parecendo escravas, cumpridoras de horários e obrigadas a cuidar dos encarcerados. Com marmitas, peças de roupas, materiais de higiene e com algum mimo: são pontualíssimas. As vejo todos os dias. Coitadas, elas gozam de liberdade, mas estão presas pelo sentimento da dor, da separação e do preconceito.

Essas mulheres, que estão na porta do presídio, assumiram a responsabilidade do lar e se dedicam bastante para não faltar comida, água e outras necessidades diárias. Ali, em grupos, conversam, sorriem, talvez para disfarçar a tristeza que está impregnada no coração. Muitas vezes, quando levam comida para o presidiário, diminui a porção no prato daquele que está em casa. Em famílias numerosas a situação é bem difícil. Sustentar um preso sai muito caro, principalmente, para essas mulheres da porta do presidio, cuja maioria, nem emprego tem. Elas, certamente, pretendiam gozar uma vida bem diferente desta, nutriam sonhos fascinantes, porém, a sorte não marcou encontro com elas. E mesmo saboreando o doce amargo da vida, elas mantêm o caráter, a responsabilidade social.

Embora mentindo para si mesmas acreditam que haverá mudança de atitude no coração de quem elas ajudam. Essas mulheres, da porta do presídio, nadam na adversidade da vida, rastejam por vales escuros e apavorantes. Todavia, merecem um pouco de paz, afinal, elas não têm culpa de nada.

O bom disso tudo é que elas sonham com dias melhores e quando isso  passar, certamente, não serão mais chamadas de coitadas.

 

Aroldo Bruce, jornalista

Colaborador JI

Imagem: Andressa Anholete – Getty Images – HuffPost Brasil – Internet

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