“Não existe amor sem entrega”, diz o Seminarista José Barbosa Neto

São doze anos de formação.

O parintinense José Barbosa Neto, atualmente fazendo Licenciatura Plena em Filosofia, nos conta um pouco dessa sua trajetória até chegar à vida religiosa.

 

Carlos Frazão – NOME COMPLETO, IDADE, NATURALIDADE, FORMAÇÃO ACADÊMICA.

José Barbosa Neto – Olá, meu nome é José Barbosa Neto de Freitas. Sou natural de Parintins/AM. Tenho vinte anos. Sou filho de Valdemar Freitas e Vanda Barbosa. Estudei nas seguintes escolas: Centro Educacional Infantil Evanilza Prestes Paixão (Pré-Escola), Esc. Est. Ministro Waldemar Pedrosa (Fundamental 1), Centro Educacional de Tempo Integral – CETI PARINTINS (Fundamental 2 e Ensino Médio) e Colégio Nossa Senhora do Carmo (onde conclui o Ens. Médio). Atualmente faço o primeiro período de Licenciatura Plena em Filosofia pelo Instituto de Estudos Superiores Do Maranhão – IESMA, em São Luís – MA, onde resido desde o ano de 2019.

 

CF – QUANDO SENTIU ESSE “CHAMADO” PARA A VIDA RELIGIOSA, E COMO ACONTECEU?

O seminarista ao lado do padre Rui Canto(E)

JB – Desde pequeno acompanhava minha avó Maria Valquíria (In Memoriam) nas atividades da Igreja e nas pastorais da minha comunidade de origem (Nossa Senhora do Perpétuo Socorro – Djard Vieira). Embora no primeiro momento não gostasse de participar da missa e de outras atividades como as novenas e terços, minha avó insistia comigo e assim com um tempo passei gostar e aprender as orações. Mas minha vocação foi amadurecendo com um tempo, onde através do meu ingresso no grupo de coroinhas da então Área Missionária de São Sebastião do Itaúna II passou a ter um impulso novo. Tinha meus oito para nove anos quando disse pela primeira vez que queria ser padre. Minha família não deu muita resistência, embora alguns preferissem que seguisse outro caminho, já que tinha boas notas na escola e buscava sempre ser destaque nos estudos. Por isso, digo que meu chamado aconteceu através de um longo período de discernimento. Deus mostrou através das pessoas e até mesmo de grandes incentivadores como alguns padres e irmãs que sentiam em mim um chamado a vida sacerdotal. Diferentemente do que alguns possam imaginar que de forma mística um anjo desceu do céu e disse que deveria ser padre, meu chamado ocorre na vida comunitária. Ali senti que Deus me chamava para um projeto maior e que esperava uma resposta assim como Maria.

CF  – VOCÊ LEVAVA UMA VIDA NORMAL ATÉ ESSE “CHAMADO”. NAMORAVA?  IA EM FESTAS, ATUAVA COMO QUALQUER JOVEM?

JB – Sim. Sempre busquei viver como um jovem da minha idade. Tinha meus amigos; gostava de sair com eles tomar açaí na praça dos bois ou fazer alguma refeição na orla da cidade; tive alguns relacionamentos; trabalhei como administrativo no Colégio do Carmo; cursei o primeiro período de matemática na UEA; Ajudava nas tarefas de casa; Jogava jogos eletrônicos e também outras brincadeiras. Ia a algumas festas, embora evitasse bebidas alcoólicas; Praticava esportes; Participava das atividades da Igreja em diversas pastorais e afins.

CF – ONDE VOCÊ VIVE ATUALMENTE?

JB – Atualmente resido na Casa Sagrado Coração de Jesus, em São Luís – Maranhão. Moro juntamente com outros sete seminaristas e três formadores (sendo dois padres e um frade).

 

CF  – QUAL ETAPA DO SEMINÁRIO VOCÊ ESTÁ FAZENDO? FALTANDO QUANTOS ANOS PARA SUA ORDENAÇÃO?

JB – Estou na segunda etapa do processo. São doze anos de formação (1 ano propedêutico; 3 anos de filosofia; 1 ano de postulantado; 1 ano de noviciado; 2 anos de tirocínio; 4 anos de teologia). Como estou na vida religiosa consagrada demora um pouco mais do que os padres seculares (diocesanos).

CF – FALE UM POUCO DA SUA CONGREGAÇÃO.

JB – A minha congregação (Congregação dos Sacerdotes do Coração de Jesus – SCJ) vive o carisma deixado por seu fundador, o Servo de Deus Padre João Leão Dehon. De origem francesa, ele buscou difundir no mundo o reino que brota do Coração de Jesus através da reparação e da oblação. No coração da Família Dehoniana experimentamos um dom especial de Deus que nos une em comunhão, uma espiritualidade que nos anima para a missão de evangelizar. Padre Dehon experimentou esta graça e — como ele mesmo disse — nos deixou por herança este maravilhoso tesouro: o Coração de Jesus. No Brasil, a congregação é conhecida por alguns nomes como o do Pe. Zezinho, SCJ, Pe. Joãozinho Almeida, SCJ, e também pelo saudoso Pe. Léo, SCJ.

CF – CONTE UM POUCO DE SUA DEVOÇÃO PELA PADROEIRA DE PARINTINS, NOSSA SENHORA DO CARMO.

PB – Sempre tive uma grande proximidade com a Virgem do Carmelo. O mês de julho embora tenha sido marcado de alguns momentos tristes, dentre eles o falecimento da minha avó em julho de 2015 e do meu bisavô (saudoso Capeludo) ocorrido no ano de 2010 no dia 16 de julho, não esmoreci na fé, mas em Maria eu busquei forças para seguir em frente e entender que a caminhada rumo a salvação é difícil, mas que com ela o peso é suavizado. Por isso, sempre que uso o meu escapulário não esqueço que, como diz Dom Arcângelo Cerqua em sua canção “há uma estrela lá no céu a nos guiar” e nela que eu encontro o caminho que leva a seu filho, Jesus Cristo.

CF – SUA MENSAGEM AOS JOVENS QUE DESEJEM ENTRAR NA MISSÃO RELIGIOSA.

PB – A vida religiosa não possui um segredo ou uma fórmula mágica que faz da pessoa um super-herói ou coisa parecida. A palavra que resume é doação. Não existe amor sem entrega. Por isso, ser religioso é uma tarefa contínua, mas que com o amor restaurador de Cristo conseguimos superar nossas fraquezas espirituais e corporais. A gratificação não é monetária, mas de um intenso sentimento de gratidão a Deus por ser sinal entre pessoas de que é possível caminhar contra a correnteza, que é possível viver a santidade sendo um homem e uma mulher para Deus e para as pessoas. O consagrado é alguém que dá testemunho de que o mundo pode ser diferente, como uma antecipação do eterno. Por isso, eu digo a você jovem, não tenhas medo. Deus te chama para ir a águas mais profundas.

CF – COMO ESTÁ SENDO A SUA ROTINA NESSA PANDEMIA?

PB – Em nosso seminário tivemos que adaptar um pouco a rotina para que os três principais eixos da formação não fossem prejudicados: a oração, o trabalho e a vida comunitária. Mesmo com a pandemia, nossos estudos permaneceram na forma de EAD. Iniciamos nossa rotina com a santa missa ou um momento de oração as 7h. Um dos principais desafios foi conciliar o trabalho quotidiano com as atividades escolares. O nosso seminário possui uma grande extensão onde é possível fazer práticas esportivas, cultivo de horta e criação de animais, manutenção de jardim e da área verde de terreno e outros afazeres. É interessante ressaltar a ajuda da auriculoterapia como terapia alternativa para superar alguns problemas causados pela pandemia como ansiedade, estresse e certas tensões. E faz-se indispensável a alimentação saudável e a prática de esportes e atividades musculares. E em relação a oração, nossa casa conta com a transmissão das missas votivas, das quartas-feiras e de cada último domingo de cada mês no perfil do Instagram da casa. Em breve estaremos reabrindo o seminário para as missas com o povo seguindo o decreto da Arquidiocese de São Luís.

 

Agradeço imensamente ao seminarista José Barbosa atender ao meu pedido, pois assim, nosso povo poderá acompanhar um pouco da trajetória do jovem futuro padre. Obrigado mesmo. Deus lhe abençoe sempre!

Por Carlos Frazão – GENTE NOSSA/JI

Fotos: Arquivo Pessoal do Seminarista

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