Campanha Caburi

O Dia das Comunicações Navais

CA(EN) Luciana Marroni e 3°SG-TC Renata Simões

 

No mar, as dificuldades naturais e peculiaridades na forma de se comunicar estimularam grande progresso das Comunicações Navais. Inicialmente usando fumaça, fogo, bandeiras e outros sinais visuais, as embarcações desenvolveram vários códigos e cifras para proteger suas comunicações. Nos conflitos armados, considerar tais recursos era vital para as pretensões do combate, levando à vitória ou à submissão ao oponente.

Ao longo da história da humanidade, podemos afirmar que as Comunicações Navais alavancaram o desenvolvimento tecnológico em diversos campos do conhecimento, contribuindo, assim, para a liberdade, soberania e autodeterminação dos povos. Elas existem desde os primórdios da navegação marítima e também desde a criação da nossa Marinha. Nesse sentido, foram as comunicações radioelétricas que, entre o fim do século XIX e início do século XX, passaram a provocar mudanças relevantes em todas as Marinhas do mundo, influindo decisivamente nas operações de guerra naval.

Nesse contexto, reverenciamos hoje o Patrono das Comunicações Navais, o Vice-Almirante Tácito Reis de Moraes Rego, data que marca a criação do Serviço Radiotelegráfico da Marinha (SRM), pelo Aviso Ministerial nº 685 de 28 de março de 1907, ocasião em que foram emanadas as primeiras instruções para o Serviço de Telegrafia sem fio e que o antigo Posto Rádio da Marinha na Ilha das Cobras recebia a nova denominação de Estação Central, sendo nomeado como primeiro Encarregado o então Primeiro-Tenente Moraes Rego.

Tal ato representou o ponto embrionário do atual Sistema de Comunicações da Marinha (SISCOM) e determinou um rumo, sem retorno, a um processo em constante evolução, no qual um remetente em qualquer OM da Marinha do Brasil pode transmitir mensagens, com conteúdos diversos, a destinatários situados em qualquer local do globo terrestre, em especial na área de cobertura de comunicações assumida pela MB. Assim, as comunicações radioelétricas vieram a confirmar um novo meio de transmissão de informações, revelando-se de elevado valor estratégico, operacional e tático.

Atualmente, a facilidade proporcionada pelos canais de comunicações modernos permeia a vida humana como uma ferramenta indispensável, provendo ampla gama de soluções. Da mesma forma, são os meios por onde trafegam serviços essenciais ao cumprimento das missões de marinheiros, de fuzileiros, de comandantes com seus meios operativos, compondo o Comando e Controle (C2), tão imprescindível, que requer o acesso e a disponibilidade permanente das redes, circuitos, linhas e estações.

Como alicerce tecnológico de suporte aos contemporâneos canais de comunicações, pode-se evidenciar como desafios para a premente modernização do SISCOM: a estrutura de redes táticas digitais de alta capacidade; a interoperabilidade plena inter-Forças, incluindo Medidas de Proteção Eletrônica e de Conteúdo; o emprego do Rádio Definido por Software (RDS); e a migração das atuais redes de Alta Frequência com emprego de Mapas MUF para Redes com Estabelecimento Automático de Enlace, denominadas Redes ALE.

Toda essa estrutura é extremamente dependente da capacitação e profissionalismo da força de trabalho envolvida na operação e manutenção dos sistemas, os assim denominados “comunicativos”. Militares e civis especializados, aperfeiçoados, engajados e comprometidos diuturnamente com as Comunicações Navais, tendo como marca um sentimento comum que os impele a jamais desistir e sempre persistir na resolução dos problemas e dificuldades.

A abnegação, empenho e dedicação são valores caros para a sociedade, porém rotineiros para aqueles que labutam, hoje, com a Tecnologia da Informação e Comunicações (TIC) na MB, devido a notável e contínua transformação digital vivida nas últimas décadas, em especial com a aproximação das áreas de Tecnologia da Informação (TI) e de Sistemas de Telecomunicações, demandando uma nova e dinâmica forma de gestão das atividades técnicas. Esse cenário de integração, decorrente da chamada “Era do Conhecimento”, motivou a criação da atual Diretoria de Comunicações e Tecnologia da Informação da Marinha (DCTIM), em 16 de janeiro de 2008, pela Portaria nº 14, do Comandante da Marinha.

A DCTIM, juntamente ao seu braço operacional, o CTIM, e cada Centro Local de Tecnologia da Informação (CLTI), são responsáveis por operar e manter a Rede de Comunicações Integradas da Marinha (RECIM), além de estabelecer a doutrina para as redes de Serviço Fixo (SF), Serviço Móvel Marítimo (SMM), Serviço Móvel Aeronáutico (SMA), Serviço Móvel Terrestre (SMT) e Serviços Especiais. Assim, contribui-se para dar suporte desde as tarefas administrativas das diversas Organizações Militares (OM) até as mais complexas operações conjuntas do Ministério da Defesa (MD), nas quais sobressai a garantia da capacidade de Comando, Controle, Comunicações, Computadores, Inteligência, Vigilância, Reconhecimento, o denominado C4ISR. Essas operações envolvem meios navais, aeronavais e de fuzileiros navais, com destaque para a Força Tarefa Marítima da UNIFIL, no Mar Mediterrâneo, a OBANGAME, no continente africano, e a OPERANTAR, nas águas geladas da Antártica, assim como nas diversas Patrulhas Navais, que abrangem extensas regiões das nossas águas interiores e da Amazônia Azul. Constata-se, assim, que trabalhamos para prover Comunicações Navais flexíveis e integradas, com segurança, confiança e rapidez, por meio dos serviços de TIC providos nas inúmeras áreas onde a MB atua, sejam elas próximas ou distantes das suas sedes, dentro ou fora do território nacional, em terra, nos rios, lagos, litorais ou em alto-mar.

Portanto, no momento em que comemoramos o Dia das Comunicações Navais e homenageamos o seu patrono, Vice-Almirante Moraes Rego, é digno e justo enaltecer, não só os nossos antepassados, mas também reconhecer o esforço e comprometimento de todos aqueles que, trabalhando em prol da TIC na MB, seja em OM de terra ou no mar, nas Estações Rádio ou nas mais longínquas OM, empenham-se permanentemente na manutenção, suporte e operação das Comunicações Navais. A esses homens e mulheres, transmito um singelo e característico sinal:

“BRAVO ZULU!”.

Texto – LUCIANA MASCARENHAS DA COSTA MARRONI

Contra-Almirante (EN)

 

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Postado por Carlos Frazão/JI

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