O Picolé Legal do Arigó…

Raimundo Osvaldo Simas Novo, esse era o nome de batismo do ARIGÓ; o sujeito mais brincalhão que eu já conheci na vida. A rua 31 de março não é mais a mesma, depois que esse cidadão desencarnou. Não chamava palavrão, não deixava ninguém em pé e quando era visitado, fazia todo esforço possível para ver as pessoas felizes. Arigó era compadre dos meus pais e padrinho do Tony Medeiros; na chuva ou no sol sempre estava disposto ao trabalho; arriscava tudo para viver melhor e, sempre que podia, estendia a mão a quem precisasse. Muitas pessoas o chamavam carinhosamente de ARIGOZÃO; tinha uma facilidade incrível de fazer amigos, era carinhoso com as crianças, cordial com os idosos e respeitador com todas as pessoas. TAPERABAR, era o nome de fantasia da sua micro empresa, mas O “PICOLÉ LEGAL” sempre foi sua marca registradada. Um dia o ARIGOZÃO desconfiou que estavam pulando a janela da casa dele e levando muitos picolés; ele ficou na espreita e conseguiu pegar um menino de dez ou onze anos. Puxou uma cadeia, pediu que o garoto sentasse e educadamente pegou um picolé e disse: é seu!!! O menino nervoso deu algumas mordidas e antes que ele terminasse o primeiro, o ARIGOZÃO colocou outro na outra mão do menino. Sempre repetia: É seu!!. Enquanto isso, ele perguntava: Como é o seu nome meu filho? Quantos anos você tem?Como é o nome do seu pai? E da sua mãe? Você estuda? Você está precisando de alguma caderno? Fardamento escolar?. E novamente pegava outro picolé, mais outro, mais outro e mais outro..No décimo picolé, a boca do menino já estavam roxa; tremia de frio e chorando jurou: me desculpe seu ARIGOZÃO, eu prometo que nunca mais eu vou pular sua janela pra pegar picolé. ARIGÓ pegou o nenino pela mão, levou ate a porta da frente, deu um beijo em sua cabeça e disse: DEUS TE DÊ UMA BOA SORTE MEU FILHO!!!!

 

 

O MARVADO

Heliomar Conceição era compulsivamente devorador de bons lívros; um apaixonado pela Extensão Rural; um professor reconhecidamente inteligente; um funcionário do IDAM extremamente dedicado; compositor de belas toadas do Boi Caprichoso; um contador de histórias como poucos; cronista, radialista e poeta. Quando estudava no Colégio Agrícola, era um goleiro tão rápido e corajoso que lhe rendeu o apelido de TRES DIABOS. Quem conheceu o Heliomar, sabe que eu não estou exagerando nas informações; digo, CONHECEU, porque há pouco tempo o nosso grande guerreiro perdeu a batalha para a silenciosa e agressiva DIABETE. Um dia, já bem debilitado, me confessou com lagrimas nos olhos, que seu único sonho não realizado foi o de ser Advogado.Bem pessoal, falei demais; falei tudo isso para ilustrar uma história que ouvi da boca desse nosso saudoso amigo. O Boi Caprichoso estava se apresentando e ele era o responsável pela vaqueirada; eram muitos os recursos impetrados pelo Boi rival e até mesmo os erros de português poderiam ser avaliados. Eram 25 vaqueiros, nem mais nem menos e o Heliomar ficou estrategicamente posicionado no portal para contar o número de vaqueiros e evitar futuros problemas. Todos os cavalinhos tinham nomes e quando a vaqueirada vai entrando, passa o JOCA TAVARES, ex vereador, com o nome do cavalo escrito assim: “MAUVADO”. O Hélio ficou triste, achando que alí existia a possibilidade de algum recurso e também não descartava a hipótese do seu Diamate Negro perder o festival por causa daquilo. Hélio foi pessoalmente na casa do JOCA e pediu para ele corrigir o nome do cavalinho. Segunda noite, tudo preparado, Heliomar novamente alí fazendo o seu trabalho, de repente passa o JOCA e grita: PROFESSOR!! E aponta para o nome do cavalinho, já corrigido. Estava escrito: ” O MARVADO”. Hélio quase morre de tanto rir e até hoje, a cidade inteira só conhece o JOCA TAVARES pelo apelido de “O MARVADO”!!!!!

 

Inaldo Medeiros

Colaborador JI