O SALIENTE PICOLEZEIRO…

Assim como todo jovem, aos18 anos, conquista o direito de dirigir, frequentar baladas, comprar bebidas alcoólicas e receber uma cópia da chave da casa; eu, aos 8 anos, exigi do meu pai o direito de ser PICOLEZEIRO. Já me sentia um rapazinho, sabia passar troco e conhecia muitos meninos da minha idade que ajudavam a família com aquela pequena comissão. Meu primeiro teste foi no Bar “SOCIETY”; peguei 10 picolés, saí no rumo de casa e meu pai, pra me deixar contente, comprou os1O. Retornei ao bar, peguei mais 10 e minha mãe, pra completar a minha felicidade, resolveu pagar a segunda rodada e comprou os outros 10. O dono do bar, admirado com a velocidade do meu sucesso, me fez algumas perguntas sobre a minha extraordinária técnica de venda, mas quando ouviu da minha boca quem havia comprado os 20 picolés, riu tanto que achei que fosse cair de cabeça na “SALMORA”. Não gostei da atitude do cidadão, procurei outros “BARES” e saí colecionando recordes de vendas, bem longe de casa. Fui PICOLEZEIRO do Arigozão, do Sr. Edmilson do “BRASA”, seo Venustro e do BAR DO IDÁ: dificilmente deixava “AGUAR” e com isso, sempre que chegava pra trabalhar, minha “bolsa” estava me aguardando. Naquele tempo adulto não vendia picolé e a meninada quando completava 14 ou 15 anos, começava a namorar, ficava envergonhado e procurava outras coisas para fazer.

Vendia em frente as escolas, no estádio, nos campinhos de peladas, nos arraiais, no cais e, por muitas vezes, quando os barcos saíam e eu ainda estava vendendo, me jogava no rio, me apoiva na “bolsa” e vinha nadando até a “beirada”. Hoje, com as novas leis, lugar de criança é na escola e eu concordo plenamente; não consigo entender como tínhamos tempo pra estudar, trabalhar, brincar, fazer as coisas de casa, acordar cedo, ir a missa e jogar bola. Nossa família é grande e até hoje não tem ninguém tatuado, (nada contra); drogado, (tudo contra); usando brinco (nada contra) e ninguém tem passagem criminosa pela Polícia.

Mas, minha história de hoje é sobre um PICOLEZEIRO bem velhinho que circulava pelas ruas da nossa maravilhosa Parintins.

***** Uma mocinha comprou um picolé e enquanto aguardava o troco, o saliente PICOLEZEIRO se saiu com essa: Você gosta de chupar né?. A garota reagiu aborrecida: Me respeite seu velho “enxirido”, safado, aproveitador; tem a idade para ser meu bisavô e devia estar cuidando da sua alma. E continuou: Vá providenciar o seu caixão que o senhor já está pra morrer!!. O velinho olhou pra mocinha e perguntou: E como você sabe que eu estou pra morrer?. Ela respondeu: Todo mundo sabe que as pessoas que andam arrastando os pés já estão condenadas a sepultura; veja sua sandália, está da “grossura” de uma gilette!!. Arrasou com o cabra!.

Baixou uma tristeza no velinho, ele parou por alguns segundos, ficou pensativo, saiu de órbita, entrou em órbita, entregou o tronco da garota e saiu empurrando o carrinho com os pés tão altos que parecia um soldado de ADOLF RITLER ou um Guarda Britânico da Rainha ELIZABETH.

BOM DIA!!!!!

 

Inaldo Medeiros

Colaborador JI