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Opinião | A tentativa de cancelamento de Maurício Souza e a liberdade de expressão agredida

O Brasil vem numa escalada perigosa de cerceamento de liberdades fundamentais.

Opinião não é crime

Nem mesmo numa interpretação rígida da Lei 7.716 – que tipifica a homofobia — as críticas feitas pelo jogador de vôlei Maurício Souza ao ativismo LGBTs em voga no Brasil e no mundo se enquadram no crime de discriminação à comunidade gay.

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A demissão do atleta do Minas Tênis Clube após publicações nas redes sociais, na verdade, mostra que ao invés de vilão, ele foi, na verdade, vítima de uma militância identitária que mesmo sendo minoria, é barulhenta e tem força perante a segmentos poderosos da sociedade, como parte da grande mídia, que deu a narrativa e potencializou o caso e o empresarial que foi quem pressionou e referendou o “cancelamento” de Maurício Souza.

Tal cenário — que a cada dia que passa se torna mais comum — acabará por proibir completamente o questionamento a comportamentos, algo sem precedentes na história das democracias ocidentais.

As publicações

Em três publicações nas redes sociais, Maurício criticou a imposição de parâmetros LGBTs. Em uma delas, o jogador questiona o uso da linguagem neutra. Na segunda, ele questiona o fato da DC Comics ter caracterizado o atual Superman como bissexual e a tentativa de inserir esse discurso ideológico para crianças.

Num terceiro post, o atleta fez críticas à inclusão de Gabrielle Ludwig na equipe feminina de basquete dos EUA. Ludwig era da Marinha Americana, mudou de sexo e fez cirurgia aos 50 anos, e fisicamente é maior e mais forte que as outras atletas.

Liberdade cerceada

É imprescindível separar o joio do trigo.

Em primeiro lugar, faz-se necessário reafirmar que qualquer tipo de discriminação é crime, seja ela por opção sexual, raça, cor ou qualquer outro motivo. A homofobia existe e deve ser combatida.

Da mesma forma, a liberdade de expressão deve ser defendida. É fundamental saber diferenciar uma opinião de um discurso agressivo. Saber identificar e combater fala e ações homofóbicas, de forma equilibrada, sem banalização e sem incitação de ódio.

Como perfeitamente abordou o editorial do jornal Gazeta do Povo do dia 28 de outubro: “classificar as manifestações do atleta como homofóbicas ou ilegais é muito mais que uma distorção grosseira do seu conteúdo; é a admissão de que, a partir de agora, há tabus, assuntos que não podem ser nem mesmo discutidos, quanto mais questionados”.

Não é assim

Em entrevista ao programa Pânico, da rádio Jovem Pan na última segunda-feira (1º), Maurício Souza revelou que sempre teve uma relação respeitável com os atletas homossexuais e que não é homofóbico.

“Não queria pedir desculpas porque acho que não errei, foi minha opinião. Fiz o pedido para proteger os meus companheiros. Minhas desculpas não adiantaram de nada. Você dá alimento para eles, não adiantou nada, falaram que não era o suficiente. Não é assim que vão conseguir respeito”, disse.

Questão política

Outro ponto que deve ser levado em consideração nesta discussão é a preferência ideológica de Maurício Souza, que nunca escondeu ser direitista e apoiador do presidente Jair Bolsonaro (sem partida).

Nesta mesma entrevista ao Pânico, inclusive, ele afirmou que seu caso tem muito mais relação com a política do que propriamente com as críticas.

“Me conectaram com política. A galera da esquerda fala que o Maurício é de direita, vamos arrebentar ele. O desenho não foi nada, o que pegou foi a questão política. Não teve nada a ver com o post, tenho certeza”, afirmou.

“Exposed do Andreoli”

O jornalista Felipe Andreoli tentou lacrar em cima do assunto e fez duras críticas no “Globo Esporte”, ao vivo, ao jogador de vôlei.

Contudo, diante da enorme repercussão das palavras do apresentador, internautas que defendem o jogador de vôlei resgataram postagens antigas de Andreoli, nas quais ele desferia, por diversas vezes frases de cunho homofóbico, racista, intolerantes e preconceituosas.

Andreoli, que declaradamente tem preferencias ideológicas pela esquerda, pediu desculpas pelos posts do passado e rapidamente foi perdoado por parte da “grande mídia” e classe de “artistas globais do projaquistão.”

Escalada autoritária

O atual momento do Brasil é motivo de preocupação a todos aqueles que, independentemente de preferencias políticas, têm zelo pelas liberdades fundamentais, que caracterizam uma sociedade sadia.

Somando-se aos “cancelamentos” que estão a todo vapor, o cerco à liberdade de expressão também compõe o cenário de escalada autoritária vivida no País, ato, infelizmente, patrocinado por instituições que deveriam zelar pelos direitos constitucionais de livre manifestação do pensamento.

Casos

Basta lembrar, por exemplo, que o ministro do STF, Alexandre de Moraes, determinou a prisão e extradição dos EUA do jornalista Allan dos Santos por suas opiniões acerca da Suprema Corte. Que o deputado federal Daniel Silveira foi preso por fazer críticas – num tom indecoroso, é verdade – aos ministros e que da mesma forma, o ex-presidente do PTB, Roberto Jefferson, está na cadeia por suas análises sobre a vida particular e atuação de membros do STF.

Mais recentemente, um juiz de primeira instância do Paraná determinou quem o jornalista especializado em saúde, Fernando Beteti, pode ou não entrevistar em seu canal no Youtube. Sim, é isso mesmo. O magistrado passou a pautar o trabalho de profissionais da comunicação.

Calem-se

Pegando carona nessa onda autoritária, o senador Omar Aziz (PSD-AM), bem ao estilo ditador, tem buscado guarida na Justiça no intuito de calar seus críticos, sobretudo aqueles que vilipendiam a CPI da Covid, presidida pelo parlamentar do Amazonas.

Entre as vítimas de Omar estão portais de notícia, como o Direto ao Ponto, assim como outras dezenas de pessoas do Amazonas.

Sem respeito

Quem também é alvo da ira de Aziz é a ex-deputada federal Beth Azize. O senador moveu uma ação por danos morais contra a ex-parlamentar de 81 anos, após ela postar nas redes sociais que o político usa o nome da família “Azize” para limpar sua ficha criminosa e induzir o povo ao erro, uma vez que o sobrenome “Aziz” tem envolvimento em vários escândalos de corrupção, e volta e meia vem sendo veiculado negativamente na imprensa.

“Há uma diferença enorme entre Aziz e Azize. No Amazonas, todos sabem que o Azize vem da minha família que tem um histórico ilibado ao contrário deste deputado e senador que tem o nome manchado”, comentou Beth.

 

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