Campanha Caburi

Padre apaixonado pelo Caprichoso reforça o Touro Negro na Arena

Carlos Caridade já esteve em apresentações do Caprichoso em dois anos, e agora retorna para participar nas três noites: ‘o Azul me escolheu’ (Foto: Euzivaldo Queiroz)

 

O amor do padre Carlos Caridade pelo boi Caprichoso pode ser definido como uma predestinação. Pois mesmo antes de ele ouvir falar de Parintins, Festival Folclórico e Bois Bumbás, foi escolhido pelo Azul.

E neste 54º Festival Folclórico esse amor será provado durante as três noites de apresentações na arena do Bumbódromo. O padre será figura ativa em três cênicas com temática religiosa. “O tema Matriarca traz esse apelo e serei participante ativo nas apresentações”, explicou.

Esse amor pelo boi azul e branco, segundo as palavras dele, começou há 19 anos, quando conheceu uma freira amazonense em Belo Horizonte, durante um encontro de evangelização. “Ela torcedora do Garantido, e eu, como sempre gostei de futebol, a convidou para assistir uma partida de futebol entre Atlético e Cruzeiro, e fomos para torcida celeste”, lembra. “A freira, que é de Boa Vista do Ramos, olhou e disse: ‘você é do Azul’. Não entendi nada naquele momento, mas anos depois compreendi: o azul tinha me escolhido”, conta o padre, que é carioca.

Anos depois, mais precisamente em 2006, o religioso decidiu participar do programa de Cooperação Missionária da Igreja Católica, que consiste em que padres e freiras deixem seus estados de origem para seguir em missão em outras regiões do Brasil. Ele pretendia ir para o Nordeste do País, mas algo insólito mudou o destino de sua viagem. “Um dia, durante almoço com meu bispo e uma freira amazonense de Parintins, a irmã Marcela, surgiu a ideia de eu vir para o Amazonas. O bispo disse: para Parintins pode acontecer!”, lembrou o padre. Ele conta que nunca falou em vir para o Amazonas e muito menos sobre Parintins.

Mas a chegada a ilha dos bumbás não aconteceu naquele ano, o padre teve de esperar até 2009 para iniciar o trabalho no Estado, mas antes, em 2007, veio ao Amazonas na campanha da fraternidade, cujo o tema daquele ano foi “Fraternidade e Amazônia – Vida e missão neste chão”. “Eu vim para ficar 15 dias e acabei ficando um mês e foi neste ano que conheci o Caprichoso”.

Durante uma celebração na igreja de Nossa Senhora de Lourdes, que fica próxima ao Curral do Zeca Xibelão, do Caprichoso, o padre teve de aguardar no curral o veículo da diocese buscá-lo. “Estava acontecendo uma apresentação para visitantes e naquele momento eu me apaixonei pelo Caprichoso. Foi amor à primeira vista”, relembra.

Depois desse ano o padre ainda teve de esperar mais dois para em 2009 iniciar seu primeiro triênio de Cooperação Missionária em Parintins e ficou na cidade até 2013. Ao fim desse período retornou ao Rio, mas sempre com o desejo de voltar, o que aconteceu em 2016. E atualmente o sacerdote teve a cooperação renovada até 2021. “Vou ficar aqui o tempo que eu puder renovar a cooperação. Na minha diocese tem muitos padres e a minha vinda para cá não compromete o trabalho lá”, ressaltou padre Carlos.

Primeira apresentação na arena

Em 2012, padre Carlos teve sua primeira experiência dentro da estrutura cênica do bumbá Caprichoso. “Antes disso minha experiência com o Caprichoso era de torcedor, o que é muito bom. Mas em 2012 mudou tudo quando recebi o convite para representar um padre na figura típica que homenageou as parteiras”, relembra.

Após essa experiência como artista do boi bumbá o padre retornou para o Rio, pois encerrou o período de missão na região em 2013. E passou dois anos longe da terra que adotou tanto adora. Mas, em 2016 retornou e voltou com força máxima, pois participou das três noites de apresentações. “Foi uma experiência sensacional estar as três noites na arena. A sensação é fantástica. Somente vivenciando para entender o sentimento de estar lá”, destacou.

Apresentação

Em 2019 o padre volta a compor a cênica das três noites de apresentações do Caprichoso. “Estarei na Matriarca, na Procissão e na Exaltação Folclórica. Serão três noites intensas de muito amor e paixão”, declarou o sacerdote azul, que inclusive preparou uma vestimenta especial para as noites, um presente do carnavalesco da Escola de Samba União da Ilha, Severo Luzardo, por onde desfilou no Carnaval deste ano. “O Luzardo é meu amigo de longa data e no desfile deste ano a União homenageou o Nordeste e a roupa dos ritmistas era uma batina inspirada na do Padre Cícero”, contou. E ao lembrar disso, Carlos ligou para o amigo e pediu o modelo do traje para que os figurinistas do Caprichoso confeccionassem a roupa dele para as apresentações. “Liguei para o Severo e ele disse que não iria enviar os desenhos da roupa, mas sim mandaria o traje assinado por ele”, comentou o padre.

 

 DIAMANTINO JÚNIOR/PORTAL A CRITICA

 

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