Carnailha 2020

Parintins vive o Domingo de Ramos

O Domingo de Ramos abre solenemente a Semana Santa, com a lembrança das Palmas e da paixão, da entrada de Jesus em Jerusalém e a liturgia da palavra que evoca a Paixão do Senhor.

 

A procissão solene sai às 18h da Igreja de São Benedito em direção à catedral de Nossa Senhora do Carmo.

DOMINGO DE RAMOS, UM POUCO DE HISTÓRIA

Gostaria de aprofundar com vocês o sentido da liturgia do domingo de ramos. Em um primeiro momento pode parecer contraditório em uma mesma missa dois textos do evangelho: a entrada triunfante de Jesus em Jerusalém e depois da procissão a leitura do evangelho da paixão.   Esta é a única missa em que temos dois evangelhos. E como se não bastasse eles são contraditórios: um de glória e o outro de humilhação.

Como surgiu esta celebração? Aqui temos duas tradições litúrgicas que se fundiram: a primeira em Jerusalém, aproximadamente séc. IV, em que se valorizava o triunfo de Cristo. Os cristãos da cidade de Roma realizavam no domingo antes da ressurreição, chamado “domingo da paixão do Senhor” uma celebração em que se lia a paixão segundo Mateus, valorizando o sofrimento de Jesus.

Em um dado momento da história estas duas tradições se uniram e formaram o que temos hoje a celebração do Domingo de Ramos.

 

O QUE SIGNIFICOU A ENTRADA DE JESUS EM JERUSALÉM?

Com a celebração do  domingo de Ramos se  abre a grande e santa  semana da paixão, morte e ressurreição do Senhor. Sto Agostinho. 354 d. C,  a chamará de semana maior porque todas as outras  semanas do  ano tem o  seu  sentido e  fundamento  nesta  semana, afinal   em  todas as semanas se faz o que aconteceu  nesta semana:  a memória  da paixão, morte e ressurreição de Cristo.

Esta semana é Grande  também porque, como diz São João Crisóstomo, ano 407 d. C.,  “nela se verificam para nós os dons inefáveis: se conclui a longa guerra, foi extinta a morte, cancelada a maldição, removida toda barreira, suprimida a escravidão do pecado. Nela o Deus da paz pacificou todas as coisas, seja no céu como na terra.”

Esta semana maior se abre com o ingresso de Jesus em Jerusalém. Jesus quer entrar na cidade santa, cidade da paz,  como um rei, ou seja, como salvador que Deus enviou para a libertação do seu povo.

Mas se observarmos este rei não é como os outros reis. Qual é a diferença entre o rei Jesus e os outros reis?

Primeiro: Jesus não entra em um carro puxada a cavalos como faria os comandantes dos potentes exércitos, mas sobre um burro, como um rei de paz. Escreve o profeta Zacarias: “Exulta filha de Sião, rejubila, filha de Jerusalém! Eis que o teu Senhor, o teu rei vem a ti. Ele é justo e vitorioso, humilde, vem montado em um jumentinho, filho de uma jumenta” (Zc 9, 9). O jumento é um veículo de locomoção para transportas pessoas e coisas, o cavalo usado pelos imperadores era veículo de guerra.

Segundo: Jesus não vem recebido pelos oficiais da corte mas ao seu encontro vai a população, para que o seu ingresso seja como uma festa real: todos estendem os mantos ao longo da estrada por onde ele deverá passar e com as mãos agitam verdes ramos de oliveira, sinal de vitória, cantando “Hosana ao filho de Davi! Bendito o que vem em nome do Senhor.” (Salmo 118, 25-26) É um canto de alegria que exprimimos também nós em todos os momentos que o Senhor se faz presente no nosso meio.

 

O QUE SIGNIFICA A ENTRADA DE JESUS EM JERUSALÉM HOJE?

Hoje   nós  temos  necessidade de um libertador, de um novo  rei. Jesus, só  ele  pode libertar as pessoas da guerra armada, fria, velada, indireta, interna e externa, dentro e fora de nós. Ou então se ela existe e é inevitável, só ele pode trazer a paz.

Ele nos liberta hoje da violência, injustiça, da escravidão; é o único que pode fazer com que o nosso amor não seja somente por nós mesmos, egoísta, interesseiro. O amor que ele nos traz não destrói mas só constrói. O seu semblante não é de um rei potente que causa medo, ao contrário, é a face mansa e humilde do bom pastor, que brota de um coração amoroso.

Ele não não veio para salvar a si mesmo, mas para salvar a todos nós. Se alguma coisa ele arranca é para plantar, se destrói é para construir. Não veio para condenar mas para redimir, salvar. Vamos ao seu encontro com ramos de oliveira, acreditando na vitória d’Ele. Ao passar pela estrada da nossa vida ofereçamos a ele o que temos de melhor para que ele passe sobre nós nos fazendo novos.

Vamos entrar com o Domingo de Ramos na Semana Santa. Durante toda a quaresma fizemos um caminho pelo deserto da vida como peregrinos, sem morada fixa, olhando para o horizonte, para a páscoa. Este caminho o fizemos por meio do jejum, da oração e da prática da caridade. Quem talvez não tenho vivido o amor ao próximo, renunciado algo por um bem maior, rezado mais, não tem problema, ainda é tempo. O importante é não parar. Ainda é tempo de conversão.  Nos próximos dias queremos seguir Jesus bem de pertinho, como Maria, até os pés da cruz e  ficaremos alegres com a aurora da ressurrição, que será a nossa alegria, pois será  a nossa vitória. “Chegou a hora em que será glorificado o Filho do homem” (Jo 12, 23)

 

 

Irmã Maria Helena Teixeira

Colaboradora JI

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