Pesquisadora faz diagnóstico de prostituição na orla da Francesa

Durante trabalho de pesquisa pelo Programa de Pós-Graduação em Sociedade e Cultura na Amazônia (PPGSCA), da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), a mestranda Cristiana Andrade Butel compreendeu a prostituição de mulheres em áreas de bar da orla da Francesa, em Parintins, e, especificamente, elaborou perfil delas em situação de prostituição.

A dissertação de mestrado, defendida e aprovada em setembro de 2018, buscou ainda compreender como essas mulheres percebem o amor, a sexualidade, a afetividade e as relações de poder na prostituição, além de procurar conhecer quais os impactos que essa atividade pode causar na vida de cada uma delas.

O tema da pesquisa de Cristiana Butel foi “Prostituição de Mulheres em área de bar da Orla da Francesa, em Parintins”, apresentada no Miniaudiório do Instituto de Filosofia, Ciências Humanas e Sociais (IFCHS), da Ufam. Como metodologia, Cristiana Butel utilizou a pesquisa bibliográfica, os arquivos de jornais, a história oral e a pesquisa de campo.

Para a coleta de dados, usou entrevista semiestruturada, observação participante e diário de campo, com o propósito de identificar às causas e motivos que fizeram essas mulheres recorrerem à prostituição e que impactos essas atividades têm causado na vida dessas mulheres. Adotou-se para esse estudo, uma abordagem de cunho qualitativo e etnográfico.

 

                                                                      mestranda Cristiana Andrade Butel

No desenvolvimento, a pesquisa se desdobrou em três capítulos. No primeiro, a pesquisa retrata a prostituição no município em contexto histórico e social, a exploração e o turismo sexual. O segundo traça o perfil das mulheres que se prostituem na orla, com seus depoimentos de vida. Aborda também, a afetividade, o amor, sexo e suas relações de poder dentro da atividade. E, no terceiro capitulo, a prostituição como atividade de risco, seja físico, doenças, vícios de álcool e outras drogas.

Nas considerações finais, a mestranda verificou que as mulheres pesquisadas vivem sob forte repressão e estigmatização. Mostrou, também, que elas almejam sonhos, desejos, sentimentos e projetos de vida de casamento, família e casa própria. Na questão sexualidade, elas demonstram uma alta estima, no sentido de valorizar o que vendem. Sabem separar relacionamentos afetivos dos comerciais e as utilizam de maneiras hierarquizadas quanto ao uso do corpo. Por último, aponta para a vulnerabilidade que essas mulheres se encontram para os riscos da saúde física e mental.

 

Fotos: Divulgação
Fonte: Portal Parintins 24 Horas