Presença na ausência

Saudade é solidão acompanhada.

Saudade é amar um passado que ainda não passou, é recusar um presente que machuca, é vislumbrar um futuro de paz, harmonia e muita, muita paz.

Saudade é sentir que existe o que não existe mais, é presença na ausência.
Saudade é a lembrança de algo ou alguém que marcou profundamente. É um sentimento verdadeiro com marcas de eternidade.

Eu por exemplo sinto saudades de muitas coisas da infância, da fase escolar, das brincadeiras de roda, do fogão de lenha nos dias de frio, do luar, do canto do sabiá, do anoitecer no sertão, do ruído da mata, da quermesse, da matinê, das festas da Igrejinha e do caldo puro de cana.

Sinto saudades do cheiro da plantação de flores, da chuva fina regando a horta, da estrela que escolhi para me representar no firmamento, do aconchego do lar cheio de irmãos, dos finais de semana, na casa dos primos, da pescaria, das cantigas de roda e da fé aprendida na catequese.

Sinto saudades do mundo menos técnico e mais humano, da Maria Fumaça e da charrete. Sinto saudades do nosso cavalo branco e das montarias de finais de tarde. Sinto saudades das histórias e dos causos na ausência da televisão.

Sinto saudades do riacho cristalino e sem poluição, das casas sem muros e dos vizinhos que eram como irmãos. Sinto saudades da vida simples, do cheiro de terra molhada e até da eternidade eu sinto uma saudades.

 

Irmã Maria Helena Teixeira

Colunista JI

você pode gostar também