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Pula Concy…

O ano era 1977, eu tinha 11 anos, minha irmã Dionísia trabalhava no Sindicato Rural, próximo ao Cais do Porto. Ela costumava me levar, íamos de bicicleta, quando chegava lá ela me dava papéis e caneta para ficar escrevendo, desenhando, as vezes me deixava até usar a máquina de datilografia. Nesse dia saímos antes das sete 7:00h, pulei em sua garupa e fomos embora conversando, mas quando chegou na esquina das ruas Rio Branco com a Amazonas, havia um buraco lamacento, e então ela disse: – Pula Concy.

Eu pulei, ela passou sobre o obstáculo e seguiu em frente, nem olhou para trás.

Eu imaginei que ela havia me deixado de caso pensado, eu até ensaiei uns choros, pensei em voltar pra casa, mas segui em frente, dobrei na esquina da igreja do Sagrado e desci pela rua Benjamin da Silva, sempre pensando: – Por que ela fez isso comigo?

Ao chegar nas proximidades, onde atualmente é a “pracinha do jacaré”, avistei aquela que me abandonara no meio da rua.

Depois fui saber a real situação. No momento que saí da garupa da bicicleta ela pensou que eu tinha sentado de volta, pois eu era peso pena, nem percebeu que eu havia ficado para trás quando na frente do Sindicato ela disse: – Pula Concy. E eu não estava lá. Quando se preparava para me buscar, me avistou dobrando a esquina, com um vestidinho rosa, de alcinha, tão magrinha.

Enquanto isso ela contava o acontecido para seu Juca Peixinho, pai do professor Raimundo (parafuso) e professora Ítala Gama, que ria sem parar, e que desde esse dia, toda vez que me via sempre dizia em tom de gozação: -Pula Concy.

Eu nunca esqueço daquele senhor, ele era muito alegre e contador de histórias. Sempre lembro desse episódio com muito carinho, por isso escolhi para compartilhar com vocês. – Pula Concy, ué, cadê essa menina???

 

Por Concy Rodriguez, Colunista JI

Imagem: Divulgação/Internet

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