Quadrilha que emitia e vendia documentos de barcos na Marinha agia desde 2001, em Manaus

Operação “Inocentes” ocorreu no Amazonas, Pará e Rio de Janeiro (Reprodução/TV A CRÍTICA)

Oito militares da Marinha do Brasil e um civil foram presos pela Polícia Federal, nesta manhã (12) em Manaus, suspeitos de participarem, desde 2001, de um esquema de corrupção para falsificar e vender Cadernetas de Inscrição e Registro (CIR), documento oficial de habilitação, identificação e registro de embarcações.

Mais de 80 CIRs teriam sido emitidas e vendidas irregularmente pelos integrantes da quadrilha, formada por despachantes e militares que atuavam em Manaus, e também empresários e donos de barcos. Segundo o superintendente da PF, Marcelo Resende, oito embarcações, a maioria motores de recreio, estão proibidas de navegar.

Na operação “Inocentes”, agentes da PF cumpriram em três estados (Amazonas, Pará e Rio de Janeiro) de 24 mandados de prisão preventiva, sete mandados de busca e apreensão e 12 conduções coercitivas. No RJ, o mandado foi cumprido, já no Pará o suspeito do crime não foi encontrado. Os crimes cometidos são tráfico de influência, corrupção e falsificação de documentos.

O superintendente da PF, Resende, não soube informar o valor cobrado pelo bando para emissão e venda de falsos CIR e nem qual o prejuízo para os cofres públicos, porém, a PF já conseguiu sequestrar R$ 2,4 milhões bens e valores dos suspeitos. Segundo Resende, desde 2001 mais de 60 inquéritos foram abertos para investigar as suspeitas de crime e outras pessoas já foram indiciadas.

As investigações iniciaram-se a partir de denúncias e documentos elaborados pela Marinha do Brasil, os quais encaminhavam diversas CIR falsificadas, apreendidas durante fiscalizações de rotina realizadas nos rios da Amazônia.

Os nove presos prestarão depoimento na sede da Superintedência da PF e, depois, o civil poderá ser levado para a Cadeia Pública Raimundo Vidal Pessoa e os oito militares para a Capitania dos Portos da Marinha do Brasil.

Segundo a assessoria de imprensa da PF, o nome da operação faz alusão ao fato de que uma boa parte dos escritórios dos despachantes se localizava nas proximidades da Capitania dos Portos, na rua dos Inocentes, no Centro de Manaus.

 

VINICIUS LEAL E JOANA QUEIROZ/ACRITICA.COM

você pode gostar também