Sem subvenção de Crivella ao carnaval da Sapucaí, escolas de samba de Niterói entram com um pé na frente em 2020

A pouco mais de três meses do carnaval , as três escolas de samba de Niterói que se apresentam na Marquês de Sapucaí já prepararam seus barracões para conquistar os jurados.

O presidente da Viradouro, Marcelinho Kalil, entre os surdos da Furacão Vermelho e Branco: após o vice no Especial, expectativa é de título Foto: Roberto Moreyra / Agência O Globo

 

A pouco mais de três meses do carnaval , as três escolas de samba de Niterói que se apresentam na Marquês de Sapucaí já prepararam seus barracões para conquistar os jurados. Será a primeira vez que as agremiações que desfilam na Avenida não receberão subvenção da prefeitura do Rio , que vem reduzindo o repasse desde 2017. Mas o corte, visto como um obstáculo para desfiles mais exuberantes, pode ser uma oportunidade para as escolas niteroienses tomarem a frente: a prefeitura de Niterói destinou R$ 2,5 milhões para a Unidos do Viradouro, atual vice-campeã do Grupo Especial ; R$ 1,8 milhão para a Acadêmicos do Cubango , atual vice da Série A (e bicampeã do Estandarte de Ouro na Série A ); e mais R$ 1 milhão para a Acadêmicos do Sossego , também no Grupo de Acesso no Sambódromo .

LEIA MAIS: Veja imagens do desfile da Viradouro, a vice-campeã do carnaval 2019

Os valores pagos pelo município para 2020 são superiores aos deste ano, quando a Viradouro levou R$ 2,1 milhões, a Cubango R$ 1,4 milhão, e a Sossego R$ 500 mil.

Para Marcelinho Kalil , presidente da vermelho e branco, “é bom ter um prefeito que valorize a nossa cultura, mas muitas escolas buscam fontes de renda além das subvenções estatais, como enredos patrocinados”. Este, contudo, não é o caso da Viradouro, que se prepara para conquistar o título com o enredo “Viradouro de alma lavada”:

VEJA TAMBÉM: Mocidade escolhe samba de Sandra de Sá para homenagear Elza Soares em 2020; veja vídeo

— Nosso enredo é inspirado nas Ganhadeiras de Itapuã , grupo musical formado em 2004 por mulheres negras, a partir dos cantos e das crenças das lavadeiras das margens da Lagoa de Abaeté, em Salvador, que vieram ao Brasil como escravas e resistiram ao período colonial. Para muitos, foi o primeiro movimento feminista do país. Viemos reverenciar a força da mulher e, em especial, da mulher negra — diz Marcelinho, ressaltando que, apesar da questão social abordada, o enredo não tem críticas políticas, como em outras escolas do Grupo Especial.

Força da comunidade

Mestre Ciça , que voltou ao comando da bateria da Viradouro no desfile deste ano após uma década fora, diz que trabalha para que o quesito conquiste os 40 pontos dos jurados e garante que, em 2020, a bateria estará muito mais confiante.

— Para o desfile do ano que vem, filtramos bem os integrantes e padronizamos melhor as batidas de caixa e de tamborim. Queremos dar esse título para a comunidade. A cada ensaio, nosso samba fica ainda mais entrosado com a bateria — conta.

Em homenagem ao escritor negro Luís Gama , a Cubango apresentará o enredo “A voz da liberdade”, dos carnavalescos Alexandre Rangel e Raphael Torres, novatos na escola. Para tentar superar o vice deste ano, o presidente Rogério Belisário diz que, “mais importante que a subvenção da prefeitura é a performance da comunidade, pois carnaval se ganha na Avenida”.

Segundo Raphael, a verde e branco passou por mudanças significativas para corrigir os erros deste ano, em que a comissão de frente perdeu três décimos. Assim, se diz confiante no título da Série A:

— Estamos com profissionais novos, tanto na parte plástica quanto na harmonia. Nosso novo coreógrafo é o Patrick Carvalho , que este ano fez um lindo desfile na Vila Isabel e se destaca pela sua originalidade.

 

Giovanni Mourão/O Globo-RJ

 

você pode gostar também