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SEMANA SANTA, TEMPO DE REFLEXÃO E LIBERTAÇÃO

Semana Santa, tempo em que celebramos a paixão, morte e ressurreição de Jesus. Ao reviver os passos de Cristo da morte para a vida, da treva para a luz, somos igualmente convidados a uma transformação profunda. É como um processo de evolução pessoal, do qual sairemos melhores do que entramos.

São João Paulo II nos recordou a força transformadora da Páscoa:  “A fé garante-nos que essa passagem de Cristo ao Pai, ou seja, a Sua Páscoa, não é um acontecimento que diga respeito só a Ele; também nós somos chamados a tomar parte nela: a Sua Páscoa é a nossa Páscoa” (Carta da Quinta-feira Santa de 1999)

Vamos ver alguns passos para deixar a alegria da Páscoa invadir nossos corações?

 

  1. As libertações da Semana Santa

A Páscoa tem origem na celebração da saída dos hebreus do Egito, quando foram libertos da escravidão. Para nós, cristãos, a data simboliza a libertação de Jesus e a salvação de nossos pecados.

Esse movimento de libertação continua ao longo de nossas vidas. É um processo sobre olhar para si mesmo, aceitar as próprias fragilidades e ter um firme propósito de mudança. Dessa forma, seja transparente com você e lembre-se: é a partir do encontro consigo mesmo que encontramos a Deus.

 

Quais libertações eu preciso vivenciar? Como posso ser hoje um cristão melhor do que fui ontem?

 

  1. Rezar, jejuar, socorrer ao longo da Semana Santa

Esta é uma semana de maior silêncio e reflexão. É no silêncio que nos conectamos verdadeiramente com o Pai, assim como fez Jesus no Horto das Oliveiras, pouco antes de ser entregue. Ali ele sentiu o peso de sua entrega, mas deu-se conta de que o Pai sempre estava próximo.

Dessa maneira, a Semana Santa requer, sobretudo, momentos introspectivos de meditação e de oração. É a hora de reconstruir a própria fé e abrir a mente e o coração para Deus. Podemos aproveitar as orações, as leituras bíblicas e as celebrações.

Recomenda-se o jejum como exercício de privação, que nos conecta ao nosso corpo e nos liberta do supérfluo. Da mesma forma, os gestos de caridade, de ajuda aos mais necessitados, nos abre para a necessidade do outro, assim como fez Jesus em sua vida e morte.

 

  1. Vivenciar o Tríduo Pascal

Os três dias mais intensos da experiência cristã são a Quinta-feira Santa, a Sexta-feira da Paixão e o Sábado Santo. Entender cada um dos dias é fundamental para celebrar esse período de maneira mais intensa.

 

Quinta-feira Santa: Jesus reúne os seus amigos para celebrar a última ceia com eles. Deixa para eles, e para nós, o memorial de seu corpo e sangue. Além disso, revela no gesto do lava-pés o modo como devemos nos tratar como irmãos e irmãs: “Depois de ter lavado os pés dos discípulos, Jesus vestiu o manto e sentou-se de novo. E disse aos discípulos: Compreendeis o que acabo de fazer? Vós me chamais Mestre e Senhor, e dizeis bem, pois eu o sou. Portanto, se eu, o Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros. Dei-vos o exemplo, para que façais a mesma coisa que eu fiz” (Jo 13, 12-15).

 

Sexta-feira da Paixão: Jesus é preso, levado ao tribunal romano e condenado. Sofre o escárnio e a violência. É obrigado a levar a própria cruz, é crucificado e morre ao lado de ladrões. A contemplação do sofrimento e de seu sentido para nós nos acompanha nesse dia de maior silêncio e jejum. A celebração principal acontece às 15 horas, horário em que Jesus foi morto. Recomenda-se resgatar as últimas palavras de Cristo na cruz:  “Pai, perdoa-lhes, pois não sabem o que fazem; “Em verdade te digo: hoje estarás comigo no Paraíso; Mulher, eis aí o Teu filho (…) Eis aí a Tua Mãe; Tenho Sede!; Eli, Eli, lema sabachtani? – Meu Deus, Meu Deus, por que me abandonastes?; Tudo está consumado!; Pai, em tuas mãos entrego o meu Espírito! ”. 

 

Sábado Santo: Reunimo-nos na Vigília Pascal para celebrar, com cantos de alegria e júbilo, a ressurreição de Jesus. A vida vence a morte e nós somos salvos. Acompanhamos os discípulos e discípulas na experiência radical da ressurreição:

 “Não vos assusteis! Vós procurais Jesus de Nazaré, que foi crucificado? Ele ressuscitou. Não está aqui. Vede o lugar onde o puseram. Ide, dizei a seus discípulos e a Pedro que ele irá à vossa frente, na Galileia. Lá vós o vereis, como ele mesmo tinha dito” Mc 16,1-7.

 

Celebrar a Páscoa todos os dias

O verdadeiro sentido da Páscoa não se esgota nesta santa semana. Vivemos a ressurreição todos os dias. Que possamos acima de tudo relembrar diariamente o tamanho do amor de Cristo por nós e fazer disso nossa fonte de renovação constante. A Páscoa está em nós sempre, pois a vida se transforma, a esperança ganha força, o amor se expande!

Cristo ressuscitou, aleluia!

 

 

Por   Irmã Maria Helena Teixeira

Colaboradora JI

Foto: Carlos Frazão/Arquivo JI

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