Gov-01

Um ‘causo’ muito sério

Por Concy Rodriguez, colunista JI

No início da década de 80, havia em Parintins, uma tacacazeira chamada Dona Jô.

Ela tinha pouco estudo, não era muito conhecida pela delícia do seu  tacacá, pelo tucupi bem fervido, repleto de jambu e camarão a vontade, mas sim pelo seu modo “particular” de ser, de se comunicar.

Dona Jô era mãe solteira de um único filho, o Carlinho, de 35 anos, desistiu dos estudos ainda no primário, não era chegado a trabalho, mas jamais dispensava uma pinga e “uns pitos doidos.”

  1. Jô acordava todos os dias ainda de madrugada, e percorria a pé até o “mercado grande”, onde comprava suas iguarias. Enquanto isso, Carlinho tirava uma “pestana ressaquenta.”

Quando chegava a tarde, D. Jô, sozinha,   arrumava a sua banca, e ficava aguardando a clientela.

Houve um dia em que os clientes estavam “em peso”, as vendas estavam  a todo vapor,  e eis que surge uma visita já esperada, a de Carlinho, que chegou meio confuso, trocando as pernas, sob o efeito explícito do álcool e outras “coisitas mais.”

Com sua voz embargada, já “chega chegando:” – Bença mãe.

D.Jô vai logo dando a benção do seu jeito, ignorando a presença dos clientes: – Deus te ‘dêia’ vergonha na cara seu va -ga- bun- do,  soletra D Jô.

Carlinho se fez de vítima: – ‘Quê’ isso mãe, deixa ao meno eu dizer o que vim fazer…Será que a senhora podia ‘mim’ emprestar uns trocados pra comprar uma merenda?”

D.Jô não perde tempo: – Tá ‘cum’ fome? Senta aí que te dou uma cuia de tacacá…”

– Não, não, eu queria comprar o pão da tarde que é torradinho…” Diz Carlinho.

D Jô retruca: – Torradinha está eu de andar no sol enquanto tu fica o dia inteiro na vagabundage.”

Carlinho se sentindo sem saída,  começou a ficar zangado: – Pô mãe, a senhora já vem com a sua “inguinorância?”

D.Jô sentindo se já nervosa e envergonhada, lança aquele ralho histórico: -Escuta aqui ‘aquele’, tu vai ‘timbora’ daqui, tu num é aleijado, tu tem dois braço e duas perna, daqui tu num leva um tostão furado, vai pedir trocados do dono da taberna, e daqueles teus colegas ‘MANHOQUEIROS, VAGINAIS…’

Bem, lógico que depois dessa ‘lição de moral,’ houve um silêncio sepulcral no recinto, povo todo abafando o riso…🤭 Quanto a Carlinho, bem, esse, entre resmungos e mãos abanando, ‘pegou o beco’, mas esse dia ficou marcado e caiu na boca do povo, pois até hoje tem quem lembre desse dia, em que D. Jô “chutou o pau da barraca.”

 

D.Jô e Carlinho são nomes fictícios, mas o causo é real.

Tradução de manhoqueiros vaginais: Maconheiros marginais.

 

Por Concy Rodriguez, colunista JI

 

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