Um dia de BBB: duas horas na ‘casa mais vigiada do Brasil’

RIO – Duas premissas sobre o “Big Brother Brasil” podem ser automaticamente confirmadas quando se entra na “casa mais vigiada do Brasil”. Número 1: não importa quem você é, de onde você veio, qual é a sua profissão. Num grupo, cerca de 80% das pessoas, ao passarem pela porta que dá acesso ao jardim, vão gritar “Uhuu!”. Em segundo, é preciso dar o braço a torcer: os participantes não estão fazendo tipo quando dizem que “perdem a noção do tempo” no reality. Na última terça-feira, um grupo de 18 jornalistas foi convidado pela TV Globo para conhecer o cenário do “BBB15”, que estreia nesta terça, às 22h25. As regras para o confinamento foram similares às impostas aos aspirantes a milionários: nada de celulares, câmeras, relógios, papel ou caneta. Foram quase duas horas de “BBB Experience”, mas a sensação é de que não se passaram pouco mais do que 20 minutos.

Ocupando um terreno do Projac, a casa do “BBB” é, sim, bem grande. A área externa, cheia de sofás e almofadões, agora divide espaço com o quarto do líder que, infelizmente, estava fechado durante a visita. Com o calor inclemente do Rio de Janeiro, no entanto, permanecer na parte de fora é tarefa para os fortes — ou para os mais desinibidos que se jogaram na piscina para viver a experiência por completo.

As portas de vidro da casa propriamente dita se abrem para um oásis de ar condicionado fortíssimo. Desta vez, a decoração tem uma certa sobriedade e as cores vibrantes de outras edições ficaram restritas a apenas um dos quartos. Começa a exploração! Primeiro cômodo: confessionário. Um quadradinho apertado, uma poltrona confortável e toda metida a design (vai logo logo ser uma das mais pedidas pelos espectadores, é um fato), telões iluminados e a lente grandona no rosto. Em cima da porta, uma luz de led em alguns dos cômodos, nas cores verde ou vermelha, indicam se eles estão liberados ou não para a entrada. A porta ao lado, aparentemente a despensa, estava com a luz vermelha acesa.

O banheiro tem zero privacidade, e o espaço com chuveiro e as pias fica ali ao lado da sala, sem qualquer porta. A parte do vaso sanitário é reservada mas… uma pequena câmera tipo GoPro fica ali em cima. As imagens não são exibidas no programa, mas o cômodo é monitorado por questões de segurança. A vontade de fazer xixi teve que esperar as duas horas….

São dois quartos: um todo laranja e bem chamativo; o outro, azul e mais discreto. Este último tem um chuveiro e uma pia incrustados bem no meio. A especulação entre os colegas é de que seria o espaço da turma da xepa. A ver. O segundo andar deu lugar à academia, que passa a ser indoor. E uma misteriosa porta trancada pode ser um quarto surpresa ou apenas mais um caminho para a produção.

A cozinha sem dúvida é o espaço mais impressionante. Enorme, englobando a sala de jantar — com 15 cadeiras, indicando que outros participantes ainda se juntarão aos 13 anunciados — é cheia de eletrodomésticos novinhos, uma hortinha na pia, louças bonitinhas, potinhos…. e uma geladeira cheia de comida para as visitas. Fazendo jus à fama de adoradores de uma boca livre, logo atacamos as quiches, os sucos e os frios que estavam ali nos aguardando.

Mas os efeitos do confinamento estavam apenas começando. Enquanto todo mundo se deslumbrava com a casa e discutia se aguentaria ou não ser um BBB de verdade (entregando os colegas: muitos disseram que a-do-ra-riam entrar no reality), eis que ouve-se um barulho familiar… o Big Fone, que agora tem carinha de cabine telefônica de Londres, tocou lá no jardim. A maioria, inconscientemente, correu para atender. A transformação em BBBs já estava mesmo em curso. Não houve mensagem nenhuma, claro, era só piadinha.

Faltava ainda ouvir a voz que comanda os passos dos brothers e ela veio logo depois: “Despensa geral da casa liberada”. Mais uma corrida do grupo: lá estavam um bolo, quatro garrafas de champagne e um cooler com refrigerantes e cerveja. Nada mal para uma tarde de trabalho. A festinha não deixou nada a dever a um primeiro dia dos confinados de verdade, é preciso confessar. E a edição foi tão perfeita que, no momento do estouro do champagne, Paulo Ricardo começou a cantar “Vida real” em nossos ouvidos. Pronto. Viramos BBBs.

A despensa tinha quantidades enormes de produtos como shampoos, condicionadores, hidratantes, absorventes, tudo sem marca. E mais: roupões vermelhos, que foram usados por vários dos jornalistas. Quer dizer, BBBs já, não é?
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Quando o pessoal estava começando a ficar totalmente à vontade e “esquecendo as câmeras” — é verdade, isso acontece, gente —, a voz soa novamente: “Todos na sala em cinco minutos”. Mas já? A entrevista com o apresentador Pedro Bial e o novo diretor-geral do “BBB”, Rodrigo Dourado, já era aguardada. Mas não tão rápido. A sensação era que só tinham se passado 15 minutos. Aquele povo todo de biquíni e de roupão se amontoou no sofá. E, claro, Bial e Dourado falaram conosco no melhor estilo paredão: pelo telão.

— Hoje posso dizer para vocês: meus heróis e minhas heroínas! — brincou Bial, ironizando a experiência dos jornalistas na casa: — Olha, a reação de vocês foi muito diferente da dos participantes de verdade, hein…

Mas como fazer uma entrevista sem bloco ou gravador? O apresentador resolve o problema: papel e caneta estão disponíveis na despensa.

Bial e Dourado falaram muito sobre a mudança de perfil nesta edição, que quer resgatar o clima dos primeiros BBBs: mais rigor, menos estratégias ensaiadas. O apresentador disse que o confinamento será “mais monástico”, com menos gente de fora visitando a casa e poucas saídas dos brothers. A escolha do elenco também foi bem criteriosa desta vez: sai o elenco inteiro formado por marombados e modeletes de 20 e poucos anos e entram mais tipos “gente como a gente”.

— A gente quer que o público se identifique com as pessoas. Pense que podia ser alguém da família ali — explica Dourado.

Bial acrescenta:

— Já aprendemos que determinado tipo de história de vida forma um participante mais vivo para o jogo. A palavra principal deste grupo é diversidade. A maioria está acima dos 30 anos, são pessoas que têm repertório, que já tiveram suas conquistas. Mas temos que contar com a sorte porque uma vez que eles entram ali e se encontram é que se revelam.
Como sempre, eles prometem surpresas. Desconversam sobre o número final de participantes — já é certo que uma 14ª mulher entrará na casa, mas não se sabe se para aí. Ex-BBBs não devem voltar, eles dão a entender — e dizem que o quarto do líder terá novidades. Provas antigas que fizeram sucesso também serão reeditadas dentro deste clima retrô.

A entrevista é rápida e o pessoal já se prepara para voltar à piscina quando ouve-se a voz de novo: “Jornalistas, preparem-se para deixar a casa”. Fomos eliminados. O Brasil não estava vendo, ainda bem. Porque um pessoal teve que fazer malabarismo embaixo do edredom para trocar de roupa. A dificuldade a partir de agora é só uma: como conviver com o título de ex-BBB daqui para a frente? Que depressão…

POR THAÍS BRITTO
Globo.Com

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