Una docita…

São muitas histórias e uma mais divertida do que a outra.

 

Os protagonistas, dessas histórias, são os pinguços da ilha: aquela turma dependente da cachaça. Os caras bebem, estão porres, quase não conseguem andar, mas querem mais uma dose.

Tornam-se pedintes e ficam pelas ruas sujos, fedorentos, abordando as pessoas e mendigando 25 e 50 centavos. O vício, pela cachaça, é tanto que para obterem moedas criam historias. Dizem que estão com fome, mas não aceitam um prato de comida, querem moedas.

Esta semana fui abordado por um bêbado que me fez ri. Os cumprimentos dele foram imitando o idioma espanhol e pediu 50 centavos para comprar ‘una docita’ (rs). Ele disse também que estava alguns dias na cidade e que passava por necessidades financeiras: mentira (rs), sempre o vejo caído ali pela feira do bagaço, Francesa, dormindo pelas calçadas.

O cara usou outras palavras longe, mas muito longe do espanhol (rs), tudo para ganhar 50 centavos. Foi muito engraçado. O cara falava rápido e colocava o espanhol do jeito dele para chegar ao seu objetivo. Sei que não deveria, mas pela forma engraçada que agiu, o bêbado de rua, ganhou os 50 centavos.

Saiu agradecendo a gentileza, falando no espanhol dele, e foi direto ao bar satisfazer o vício e sustentar o corpo com mais ‘una docita’.

 

Aroldo Bruce, jornalista

Colaborador JI

Ilustração internet

 

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