Viradouro traz encanto e enlouquece a Sapucaí

Na comissão de frente, livro explodia quando menino o abria (Foto: Douglas Macedo)

 

 

A Unidos do Viradouro encantou a Marquês de Sapucaí. Como era de se esperar, o carnavalesco Paulo Barros trouxe efeito especiais, transformação e muita interação com o público. A vermelha e branca de Niterói, segunda a desfilar neste domingo, foi ovacionada pelo público, que nas arquibancadas, carregando bandeiras, gritava “a campeã voltou”.
A cada alegoria que passava pela Avenida, o público gritava de emoção.

A proposta do enredo “Viraviradouro” era trazer magia e encanto, transformando todos em crianças novamente. A chuva, que caía momentos antes da escola entrar na Passarela do Samba, deu uma trégua durante o desfile. Para Paulo Barros, o tempo é prejudicial, mas ele garantiu que a Viradouro se preparou para isso.

“Dizem que a chuva vem para lavar a alma. Para mim, ela vem para atrapalhar”, comentou. 

Paulo Barros entrou na Avenida no fim da escola, cantando muito e saudando as arquibancadas. Ao ver o resultado do trabalho, ele não se conteve e chorou.

“Acho que nunca cantei tanto na minha vida como hoje. Foi emocionante. Agora é torcer para Quarta-Feira de Cinzas.Pelo o que percebi, o público amou o desfile”, pontuou o carnavalesco.

Atento a todos os detalhes, o presidente Marcelinho Calil acompanhou de perto o desenvolvimento da escola. Durante boa parte do desfile, ele permaneceu ao lado da bateria, dando orientações para cada componente que passava. Segundo ele, a Viradouro se preparou para estar de volta no Sábado das Campeãs.

Após 10 anos, Mestre Ciça pisou novamente na Sapucaí com a Unidos do Viradouro. Completando 30 anos de avenida, essa foi a primeira vez que Ciça teve uma superprodução. Ele surpreendeu a todos com uma fantasia de Merli, o maior mago de todos os tempos. Considerado um mestre na arte dos encantamentos e das profecias, ele vinha com um cajado nas mãos. Ao bater o objeto no chão, quando seus ritmistas abaixavam, saía fogo do cajado.

“É emocionante demais estar aqui hoje. Nos preparamos muito tempo para isso e tenho certeza que o resultado vai ser o melhor. Queremos os 40 pontos. Sinto que a Viradouro nunca deixou de ser a minha casa”, disse Ciça, emocionado.

Desfile

A Comissão de Frente deixou o público e os jurados encantados. Nela, o livro mágico da Viradouro apresentava o que viria pela frente. A figura da avó era a protagonista do enredo, ao contar as histórias que encantam o mundo. Durante a coreografia, o neto roubava o livro e abria, fazendo a fantasia dominar a Sapucaí.
Os bailarinos distribuíram livros para o público nas arquibancadas, incentivando a leitura.

O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Julinho e Rute, se transformaram em príncipe e princesa, mostrando os encantos do pavilhão.

O carro abre-alas era uma gigante estante de livros, de onde bruxas tiravam livros e contavam histórias. Componentes vieram pendurados na alegoria por um cabo de aço. A vice-presidente Susie Monassa veio como destaque na alegoria, no lugar onde sua mão costumava desfilar. Ela veio representando o símbolo maior da escola, a coroa.

As fantasias deram um show de criatividade, luxo e diversão. Um mar de cores invadiu a Passarela do Samba. Personagens como Zeus, Gênio da Lâmpada, fadas madrinhas e bruxas dominaram o primeiro setor.
A segunda alegoria fez bruxas voarem pela Sapucaí penduradas em suas vassouras.

Já o terceiro carro alegórico representou a magia dos contos de fada. A Bela e a Fera foram os destaques. Como num passe de mágica, a Fera se transformava em príncipe, levando o público à loucura. Os personagens ensaiaram três meses para aprontar a coreografia e demoraram cerca de 20 minutos para se arrumarem para o desfile.
Os passistas vieram completamente dourados, com um pintura que cobria o corpo inteiro. A ideia era representar o ouro do célebre Rei Midas.

Raissa Machado, rainha de bateria da Viradouro, veio como Morgana, em uma fantasia luxuosa. A bela representava a misteriosa sacerdotisa das histórias de rei Arthur, lançando seu encanto para seduzir o mago Merlin e enfeitiçar a Avenida.

Um navio fantasma tomou conta da Passarela com a segunda alegoria, fazendo alusão ao filme Piratas do Caribe. O carro, batizado de “Holândes Voador”, trazia um pirata pendurado, que girava em torno da alegoria. Quedas d’água deram um efeito especial.

O quinto carro causou frisson nas arquibancadas. Um motoqueiro fantasma, que soltava fogo na motocicleta, descia pela rampa da alegoria e invadia a pista, no meio das alas. O personagem faz parte do Globo da Morte há 19 anos e foi convidado pelo Paulo Barros. Ele teve que lidar com o chão molhado e escorregadio, por conta da chuva.

Fechando o desfile, a fênix, o grande símbolo do enredo e do momento que a escola vive, veio carregando a bandeira da Viradouro. Componentes deram vida ao carro, abrindo e fechando flores. O pássaro representou o renascimento da vermelha e branca.

 

 

 

 

Pamella Souza

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